Torcedores se mobilizam por bandeira LGBTQIA+ no Allianz Parque

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O público LGBTQIA+ vai ter em breve o seu espaço em um estádio de futebol, ainda muitas vezes hostil.

Mesmo em uma arena sem público, um coletivo chamado PorcoÍris, do qual fazem parte Camila Taraborelli, João Vitor e Mariana Mendonça, se encontra sob a expectativa de ver uma bandeira do grupo no Allianz Parque. A ação, que será definida pelo Palmeiras no dia do jogo, quer abraçar muito mais do que os 15 membros do grupo.

— A gente está só começando um espaço. Acho que pode começar a ganhar corpo ou ter sentido quando essa união tiver algum efeito maior. Óbvio que sou grato ao Palmeiras por ter aprovado a bandeira e tomara que ela esteja lá, mas é só um começo. Ainda há um pessoal que não aceita, né? Mas nós estamos aqui, nós vamos falar de futebol e vamos torcer pelo Palmeiras — falou o engenheiro João Vitor, fundador da PorcoÍris.

O coletivo nasceu diante de uma percepção de João Vitor nas redes sociais. Quando clubes, como o Palmeiras, compartilhavam imagens para celebrar casais, havia uma regra: heterossexuais. O palmeirense questionou a postura e recebeu uma enxurrada de respostas preconceituosas de outros torcedores.

— Tive a ideia de fazer um perfil anônimo para dar essa voz, no sentido que as pessoas dessem um lugar para a gente na torcida. Alguns vieram falar que a gente tinha que “torcer para o time do outro lado do muro” (em alusão ao São Paulo, vizinho de CT do Palmeiras). Mas a gente é palmeirense. Sempre fui palmeirense; aliás, o primeiro da família. A gente precisava marcar esse lugar e deixar uma voz para o torcedor. Queremos falar de futebol — declarou.

A iniciativa PorcoÍris começou há um ano e quer fazer história no Palmeiras ao estampar um espaço da arena com a bandeira LGBTQIA+.

A peça produzida após uma “vaquinha” dos membros da PorcoÍris está entregue ao departamento de marketing do Palmeiras. Na segunda-feira, antes da partida contra o Atlético-MG, todas as bandeiras serão revisadas pelo clube para, enfim, serem transportadas para o estádio.

— Sentimento é de pertencimento. Esse clube é meu, esse estádio é meu, essas pessoas são minhas. Essa história é minha, porque tomei como minha. Eu escolhi esse grupo, poderia ter escolhido tantos outros. É esse o sentimento — afirmou a psicóloga Camila Taraborelli.

— Futebol é um meio muito machista e misógino. Quando a gente propõe que o Palmeiras nos proporcione um espaço de segurança para exercermos nossa paixão, acho que o clube valoriza a sua própria história de luta e resistência. Quando um grupo se denomina LGBT, se organiza e se articula para também ter o seu espaço de respeito e proteção dentro do futebol, o Palmeiras deve isso por resgate histórico da marca de luta e construção a partir das minorias — acrescentou.

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