Suicídio: como evitá-lo?

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No dia 10 de setembro foi o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas o que podemos falar para uma pessoa que apresenta sinais suicidas? Países no mundo se mobilizaram para conscientizar, alertar e prevenir o suicídio. A preocupação é mundial e tornou-se um problema de saúde pública. 

 A coluna Viva + Saúde que tem o objetivo de prevenir, não poderia deixar de dar um alerta aos nossos leitores. 

Suicídio, termo usado em 1737, por Desfontaines, do latim, matar a si mesmo por uma ação voluntária. Essa ação, que para muitos, ainda é um tabu, um assunto proibido e um silêncio familiar, tem que ser aberto e discutido em qualquer lugar. 

Quais são os verdadeiros motivos uma pessoa dar fim à própria vida? Solidão, doenças psiquiátricas, pressão da sociedade ou da família? Não sabemos ao certo, pois na literatura médica, não há algo que se defina a verdadeira causa que possa levar ao ato. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde, (OMS), mais de 800 mil casos de suicídio acontecem no mundo anualmente, sendo que, a cada 40 segundos, há um suicídio. No Brasil, nas últimas pesquisas, dados da OMS, a cada 45 minutos, acontece um. O mais preocupante nesses dados, e que sirva de alerta, é que 90% dos acontecimentos poderiam ser evitados. 

Portanto, a OMS, exige que mais países instalem em seus governos medidas preventivas. É um absurdo saber que existem 194 países no mundo, conforme a Organização das Nações Unidas (ONU), mas apenas 28 implantaram medidas para evitar que mais casos aconteçam. O que foi coletado pela OMS é que os países de maior índice de suicídio são aqueles pobres e emergentes. 

  • Índia:        1º lugar 
  • China:       2º lugar 
  • Estados Unidos:  3º lugar 
  • Rússia:       4º lugar 
  • Japão:         5º lugar 
  • Coréia do Sul:   6º lugar 
  • Paquistão: 7º lugar 
  • Brasil:          8º lugar 
  • Alemanha:  9º lugar 
  • Bangladeste: 10º lugar 

Dados segundo a Organização Mundial de Saúde, setembro de 2014. 

 

  • MAS O SUICÍDIO PODE SER EVITADO? 

Segundo a Dra. Valquíria Otero Paschoal, psiquiatra com especialização na área infantil, que atua no Centro de Atenção Psicossocial Infantil (CAPS), em Mauá e com atendimento psiquiátrico no Pronto Socorro do Hospital Municipal de Diadema, é importante ter uma boa estrutura familiar para que não aconteça ou que seja evitada a tragédia. “Uma família precisa de uma boa base para perceber as mudanças que o ente querido demonstra. Por exemplo, as mudanças de comportamentos, falta de ânimo para viver, o isolamento. Ter bastante atenção também para aquelas pessoas que de uma hora para outra começam a organizar a vida, suas contas e objetos pessoais”, alerta a psiquiatra.  

É importante saber que o suicídio não é hereditário! 

  • TRÊS FATORES PODEM CAUSAR O SUICÍDIO 
  • Pressão ou stress social; 
  • Disponibilidades de meios; 
  • Vulnerabilidade individualidade. 

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  • Quais os sinais que podemos observar: 

Na maioria dos suicídios, as pessoas têm tendências a deixarem pistas do que está acontecendo. Alguns sinais passam despercebidos pela família e amigos mais próximos das vítimas. Atenção a alguns sinais: 

  • Depressivos; 
  • Melancólicos; 
  • Choros sem motivos aparentes; 
  • Frases que querem morrer, dormir e não acordar mais, não aguenta mais a vida, tudo é um fardo; 
  • Isolamento social e familiar; 
  • Aumenta a ingestão de álcool, medicamentos controlados e entorpecentes; 
  • Despede- se das pessoas como não fosse mais vê- las; 
  • Cartas e bilhetes falando sobre morte; 
  • Automutilação; 
  • Mudança de comportamento na escola, agressividade, baixas notas; 
  • Falta de apetite, ficam parados em um só lugar, mudança em sua aparência; 
  • Doar bens e fazer testamento; 
  • Pacientes em tratamento psiquiátrico; 
  • Tristeza profunda após morte de alguém querido; 
  • Perdas de bens; 
  • Desilusão amorosa 

 

  • POSSO AJUDAR UMA PESSOA COM TENDÊNCIAS SUICIDAS 

 

  • Ouvir as pessoas que se queixam da vida, sem esperança, é muito bom para que sejam ouvidos; 
  • Busque saber a dor do outro; 
  • Traga- o para a sociedade; 
  • Levar pessoas queridas para próximo dela; 
  • Fazer entender que sua morte fará muita gente infeliz e culpado; 
  • Respeite o silêncio após uma conversa; 
  • Fale sobre suicídio abertamente; 
  • Redobre à atenção com os adolescentes a partir dos 15 anos; 
  • Insista para saber o que está acontecendo, quais seus pensamentos e sentimentos; 
  • Idosos e jovens em fase terminal de vida 

 

FRAGMENTOS DA VIDA 

 fragmentos da vida

JUNTEI PEDAÇOS DE MIM PARA SALVAR VIDAS  

Quando saí do colorido do mundo e entrei no cinza dos meus problemas, queria morrer.  Nada me tirava daquela inércia ímpar, única e minha. Era meu mundo, minha tristeza e não queria ouvir ninguém. Quem poderia entender o que eu estava passando se não sentiam a minha dor?                                                        

Antes, eu trabalhava, depois disse para os meus familiares que fui demitida, só para eles me deixarem em paz.  Paz essa que não me trazia alegria. Apenas sofrimento. A dor amassa o meu peito como se fosse papel, minha alma está tão fria, desolada. Os problemas martelam na minha cabeça dia e noite. Emprego, meu amigo de infância que teve uma morte tão precoce, meu namorado me deixou. É tanta perda, Meu Deus!  

Por que Deus não me leva e me liberta dessa dor que me corrói dia após dia? 

Minha família me vê e nem ao menos pergunta o que está acontecendo. Na minha cabeça o mundo está silencioso, não ouço e o que vejo é sem graça e sem cor. 

Um dia abri a janela e fui vendo como o meu quarto estava desarrumado, fui detalhadamente colocando cada coisa em seu lugar, senti um aperto no coração, até parecia que seria a última vez que estaria lá. Mas não tinha percebido que uma pessoa especial da família sempre me observava, minha querida avó. Com toda a sua experiência de vida. viu que,aos poucos, eu me isolava, estava mais distante de tudo e todos. A tristeza estava no meu rosto e no encolhido corpo. 

A desesperança era imensa, a angústia me sufocava, e para tirar todo esse peso e desespero, pensei em me matar por várias vezes. Quando achava que meus problemas iriam me matar, surgiu uma mão e ouvi as palavras mais doces da minha vida. “Querida neta, vamos dividir o que te angustia. Fala comigo! A tua dor a partir de agora é metade minha”. E foi assim que saí de um momento muito ruim da minha vida, com a ajuda da minha querida avó. Se ela não tivesse me visto, mesmo sem me ouvir, poderia ter feito uma besteira contra a minha própria vida. Mas, no fundo, queria alguém que olhasse para mim, segurasse a minha mão e me puxasse do abismo.  

Hoje dou palestra alertando, principalmente, jovens que são vulneráveis, e muitas vezes, sofrem as maiores pressões da sociedade, um mundo globalizado que quer impor um padrão invertido da realidade de cada país e cultura. Sinto-me muito bem com isso! Saber que posso salvar uma vida é maravilhoso.  

Fonte consultada: Dra. Valquíria Otero Pascoal, psiquiatra com especialização na área infantil, trabalha no CAPS Infantil de Mauá e atendimento no Pronto Socorro de Psiquiatria no Hospital Municipal de Diadema.  

Mais informações: E-mail: valquiriaop@uol.com.br 

 Voltamos no mês que vem com “Viva + Saúde”, no BDI.

Escreva para a colunista: anamarcia@bastidoresdainformacao.com.br