“Sou a favor da legalização da maconha”; Confira entrevista com Eduardo Jorge, candidato à presidência pelo PV

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No “BDI Eleições” de hoje, entrevistamos o candidato à Presidência da República pelo PV, Eduardo Jorge.

Natural de Salvador – BA, o médico sanitarista de 64 anos lutou contra a ditadura, organizou os primeiros conselhos populares de saúde e do PT, por onde foi deputado estadual e federal, além de secretário municipal de Saúde da cidade de São Paulo durante os governos de Luiza Erundina e Marta Suplicy. Porém, saiu do partido posteriormente. Desde 2003, atua pelo PV. Por ele, foi secretário do meio-ambiente dos prefeitos José Serra e Gilberto Kassab. Na conversa, Jorge falou sobre sua saída da sigla de Lula, temas polêmicos, como aborto e eutanásia, além da dívida externa brasileira. Confira:

Foto: Divulgação/Yuri Andreoli
Foto: Divulgação/Yuri Andreoli

 

Antes petista, por que o eleitor votaria em você pensando no novo? O que te diferencia da sua ex-colega, Dilma?

Minha militância política se iniciou no Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Depois fui um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), no qual permaneci até 2003. Saí por discordâncias com a direção nacional na época, e logo entrei para o Partido Verde (PV). Considero que tanto o capitalismo como o socialismo são partidos do século XX, porque não levaram, e ainda não levam em consideração, os limites dos recursos naturais. O PV vem para levar esta questão ao centro das políticas públicas. Precisamos mudar nossa forma de consumo, de viver, de nos relacionar com o meio ambiente e os recursos naturais. E quando digo meio ambiente não me refiro apenas aos grandes biomas que, claro, temos todos que preservar. Me refiro também às cidades, onde vive a grande maioria da população brasileira, asfixiada pelo combustível fóssil dos carros e ônibus, causador de doenças cardíacas e respiratórias e câncer, por exemplo. O conceito de desenvolvimento sustentável surgiu como proposta a partir de estudos da ONU e foi apresentado de forma mais acabada no encontro Rio-92. Está baseado em evidências científicas e pressupostos éticos. Trata-se de reavaliar todas as políticas públicas, a produção e consumo de bens e serviços, enfim as formas de viver e conviver que tanto o socialismo quanto o capitalismo defenderam/implantaram nos últimos séculos. A democracia, o respeito aos direitos humanos e a cultura de paz são os componentes necessários para um ambiente onde o desenvolvimento sustentável pode prosperar.

Uma de suas ideias, é a imposição de penas alternativas a quem cometeu crimes de menor impacto ou sem uso de violência. Uma pessoa que rouba, independente do objeto, é ladrão. Um agressor, independente de quem tenha apanhado, é um agressor. Sua atitude impede a construção de novos presídios e não denuncia a péssima situação das cadeias no país, visto que um criminoso pode continuar solto?

O que proponho é uma nova agenda de segurança pública. Há crimes violentos e há delitos leves. O que defendo é que quem cometeu delitos leves seja responsabilizado com o cumprimento de penas alternativas, aliviando a superpopulação de nossas penitenciárias. A grande maioria das pessoas que lá estão não cometeram crimes violentos. Entram na cadeia pequenos e saem grandes infratores. O sistema atual não recupera as pessoas. No Brasil tem se investido muito mais em ampliação de vagas em presídios do que na qualificação da polícia, do judiciário e nas penais alternativas. O problema das vagas, se continuarmos com esta política pouco inteligente, é infinito. Não haverá recurso que baste. Precisamos mudar a estratégia. Aconselho conhecer os dados compilados pelas organizações Sou da Paz e Rede Justiça Criminal. Nossa agenda de segurança pública precisa mudar.

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Especialistas dizem que para o futuro presidente precisará tomar algumas medidas menos populistas, como cortar gastos e subir o preço do combustível para o país voltar a crescer na economia. Se eleito, vai subir o preço da gasolina?

Proponho, dentro do quadro mais amplo descrito na primeira questão, dar subsídios para combustíveis limpos, para que possamos aos poucos sair gradativamente da dependência dos combustíveis fósseis. Proponho cortar gastos onde eles são desnecessários, como em Brasilia. Queremos cortar em 50% os cargos de confiança e avaliar a necessidade de manter os outros 50%. Vamos diminuir o número de ministérios,que passará a 14 (CITAR OS 14). Queremos juntar Senado e Câmara Federal numa única estrutura e reduzir o número de assessores, reduzir mordomias. Política é para servir. Mas, insisto, os cortes serão feitos onde são necessários, preservando o salário do trabalhador e itens como alimentação e transporte público.

Como conquistar o apoio do eleitor sem participação na maioria dos debates em menos de um minuto no horário político?

Vamos participar de todos os debates. Por lei, temos direito.

Você é a favor da legalização da maconha, aborto e a eutanásia?

Sou a favor da legalização e da regulação da maconha pelo Estado. Hoje, na prática, o que acontece é que as drogas são reguladas pela economia do crime. O que queremos é quebrar esta economia e, deixando de ser tabu, levar informação, como já acontece no caso do cigarro e do álcool, sobre os malefícios que o uso desta substância psicoativa pode causar. Álcool e cigarro causam até mais malefícios do que a maconha, por exemplo. Em todo o mundo vários países já estão revendo a estratégia de guerra às drogas, porque ela não deu certo. Até mesmo os Estados Unidos, que lançaram esta cruzada de guerra às drogas no mundo, estão indo nesta direção, e vários de seus estados estão implantando novas políticas. Em todas estas décadas ela só tem causado mais mortes, colocado mais drogas no mercado e inflado nossas cadeias. É preciso uma política inteligente para lidar com esta questão. O que queremos é, após legalizar e regular, desenvolver uma política de diálogo com a população no seguinte sentido: 1. De preferência, não use nenhuma substância psicoativa. 2. Se usar, use muito pouco, pra não prejudicar sua saúde. 3. Se notar sinais de dependência (estudos mostram que no caso da maconha cerca de 10% dos usuários desenvolvem dependência), queremos lhe atender no sistema de saúde o mais rapidamente possível. Não incentivamos o consumo, mas reconhecemos que esta política atual não funciona. Isso sem falar no uso medicinal da maconha, que vem se provando cada vez mais eficaz no caso de tratamentos de doenças raras como a síndrome de Dravet e no alívio de sintomas de tratamento de câncer.

Quanto à interrupção da gravidez, o que propomos é reduzir o número de abortos ampliando a oferta de planejamento familiar e com educação sexual nas escolas de ensino médio. No entanto, hoje o que acontece é que as mulheres que por alguma razão se vêm obrigadas a interromper uma gravidez são consideradas criminosas pela lei brasileira. De acordo com estimativas do SUS, são cerca de 800 mil a 900 mil casos por ano. Não podemos abandonar estas mulheres, que além das sequelas psíquicas, muitas vezes ficam com sequelas físicas. Descriminalizando, posso atendê-las no sistema único de saúde e orientá-las para o planejamento familiar. E neste tempo a ampliação da oferta de planejamento familiar e a educação sexual nas escolas de ensino médio mudarão aos poucos este quadro. O aborto é a falha do planejamento familiar, queremos diminuir o número de abortos no país.

Para encerrar: Àqueles cidadãos que estão preocupados com saúde, educação e segurança, por que votariam em você?

Estas são as maiores preocupações das famílias brasileiras. Nosso programa aborda todas estas questões dando a elas o destaque que precisam ter na vida do brasileiro.

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