SBT abre mão da experiência

Por Lucas Canosa

Antes tida por alguns jovens como a “TV mais brega”, o SBT, graças à internet e aos programas de humor, que tanto exploraram tal imagem, foi mudando seu público e, os antes considerados ultrapassados, a exemplo do que aconteceu com Palmirinha, se transformaram em cool (descolados), vide Silvio Santos, Carlos Alberto de Nóbrega e Ratinho. No entanto, na boa fase dos veteranos, a emissora paulista resolveu abrir mão de alguns deles em prol da imagem “moderna” que insiste em alcançar.

Foto: Divulgação/SBT

Em junho de 2017, o desligamento de Hermano Henning, após 23 anos de casa, pegou todos de surpresa. E o que ascendeu – de ascensão – nos bastidores? Marcão do Povo e Dudu Camargo que, simplesmente, sobretudo este segundo, jogaram o nível do jornalismo do SBT no chão. Nada contra o estilo dos rapazes, mas para quem já teve César Filho e Henning nas manhãs, é triste. Hermano segurou todo o departamento da empresa sozinho. Chegou com bagagem de coberturas de guerra, expedição à Antártica e queda do Muro de Berlim, com passagem pela Rede Globo e, quando não havia redação, manteve a dignidade do Jornal do SBT e do SBT Repórter, chegando a marcar 21 pontos de audiência neste último. Ele ficava na televisão o dia inteiro e foi perdendo espaço, desnecessariamente. Hoje é diretor de uma emissora pública em Guarulhos. A tarefa da antologia no jornalismo do Anhanguera ficou para Joseval Peixoto.

Foto: Divulgação/SBT

Infelizmente o companheiro de Rachel Sheherazade no SBT Brasil durou pouco mais de 6 meses em relação a Hermano. Responsável por modificar o padrão de jornalismo do SBT com opiniões fortes, que logo seriam arrancadas por quem as colocou lá, o patrão Silvio Santos, Joseval, em comum acordo, segundo comunicado oficial, não continua para 2018. A despedida emocionada foi no final de dezembro. Vale ressaltar que não houve esforço da casa para mantê-lo. Diferente da situação anterior, a qualidade do jornal não será afetada. O competente Carlos Nascimento, que está há muitos anos no SBT e precisava de mais espaço, vai substituí-lo.

Foto: Divulgação/SBT

O caso mais triste é o de Moacyr Franco, lendário e multitalentoso artista, inclusive entre os mais completos do país, o cantor foi demitido do SBT após duas décadas de serviços prestados. Ele chegou nos anos 90 cheio de moral, participando da Praça, ganhando programa próprio, produzindo seriados de sucesso, como “Ó Coitado” e “Meu Cunhado”, mas a emissora não soube aproveitar a criatividade do veterano, sobretudo em possíveis novas atrações para a grade, o encostando com o famoso Jeca Gay no semanal de Carlos Alberto. O salário não era insignificante, não em relação à situação do nosso país e aos 5 minutos no ar, porém sim em relação às estrelas do casting. Nos resta torcer para Moacyr voltar ao ar tão logo e para que Silvio Santos, que já deixou de lado muitas das decisões que tinha dentro de sua empresa, entenda que a essência do SBT é a TV feliz e que é preciso valorizar quem o ajudou nos momentos difíceis e quem realmente tem talento para evitar uma programação cheia de enlatados ou, pior, cheia de produções inassistíveis. 

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