São Paulo fala em “indignação” após Anvisa suspender testes de vacina chinesa

Foto: Govesp

A suspensão dos testes da Coronavac – vacina contra a Covid-19 produzida pela Sinovac – causou indignação no Instituto Butantan, que tem parceria com o laboratório chinês na distribuição da vacina. Em coletiva de imprensa realizada na manhã desta terça-feira, 10/11, o presidente do Butantan, Dimas Covas, afirmou que não há efeitos adversos graves que justifiquem a interrupção.

“Quando nós fazemos um teste clínico é esperado que aconteçam reações e efeitos adversos. Nesse estudo que estamos em andamento existiram reações adversas, que foram leves. Não tivemos nenhuma grave. Não tivemos e não temos. Podemos ter eventos adversos na população de estudo, como enjoo ou fraqueza. Tudo isso tem sido relatado em frequência pequena e, passados sete dias, não existiram mais reações adversas”, afirmou Covas.

A Anvisa suspendeu os testes da vacina após o óbito de um voluntário e justificou que “após a ocorrência de um evento adverso grave, a Anvisa determinou a interrupção do estudo clínico da vacina CoronaVac. O evento ocorrido no dia 29/10 foi comunicado à Agência, que decidiu interromper o estudo para avaliar os dados observados até o momento e julgar o risco/benefício da continuidade do estudo”, publicou a agência em nota.

O coordenador executivo do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, João Gabbardo argumentou que não há relação entre o óbito da mulher e a Coronavac. “Não sabemos se a paciente morta tomou vacina ou placebo. Não existe nexo causal”, rebateu Gabbardo. O “evento adverso grave”, justificado pela Anvisa, aconteceu 25 dias depois da paciente morta ter tomado o medicamento – ainda não se sabe se vacina ou placebo.

Nesta segunda-feira, 9, em entrevista à TV Cultura, Covas já havia rebatido a suspensão por conta do falecimento do voluntário. “Como são mais de 10 mil voluntários nesse momento, podem acontecer mortes, pode ter um acidente de trânsito e morrer. E é o caso aqui. Ocorreu um óbito que não tem relação com a vacina”, desabafou o presidente do Butantan.

O Estado também reclamou do fato da suspensão ter sido vazada à imprensa. “20 minutos depois de a gente ser notificado por e-mail, a notícia saiu na mídia nacional. Eu fiquei sabendo pela imprensa. Não recebi nenhum telefonema. Quero acreditar que a Anvisa seja técnica e independente”, finalizou Covas.

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