Respeitemos e valorizemos os artistas de rua

(Foto: Carlos Oliveira/Arquivo/PCR)

(Foto: Carlos Oliveira/Arquivo/PCR)

A gente costuma ter medo quando encaramos uma realidade distinta à nossa. Essa semana, pude sair da minha zona de conforto e perceber que ninguém precisou me convidar a sair dela, foi tudo tão naturalmente que quando “abri meus olhos” já estava curtindo algo que me invadia preconceitos. Estava de passagem pela Praça da Sé, na verdade, esse não era o meu destino, quando digo passagem é porque realmente foi uma passagem, rápida, mas que me encheu de sentimentos e que com certeza me inquietaram e se transformaram nessas palavras que passo a dividir.

É comum ouvir piadinhas sobre as pessoas que se instalam na Praça da Sé para ganhar dinheiro, sendo pedindo ou falando de religião. E realmente é o que acontece. Desde criança, as vezes em que passei por ali, sempre foi correndo com medo de ser roubada, e acho que não sou a única. Muitos também expressavam esse medo, essa pressa, tudo com o intuito de não ser interrompido.

Uma música tocava. Eu não sei bem o que era, acho que um forró. Não curto esse estilo, mas não posso negar que era agradável. No meio da praça, se reunia moradores de rua, trabalhadores e o senhor que tocava sua sanfona. Nunca vi pessoas tão humildes demonstrando tanta felicidade. Aquele povo com cara que veio do sertão, senhoras com roupas nada ditadas pela moda, pano na cabeça e até malas de viagem acompanhavam a alegria. Alguns, sentados no próprio chão riam dos outros que dançavam e curtiam aquela tarde como uma verdadeira festa.

Nos primeiros 5 minutos que me deparei observando aquela cena, enquanto esperava meu ônibus, só conseguia ver pessoas que enfrentavam a mesma realidade. Com o tempo se passando, comecei a ver que outras, começaram a sentir o que eu estava sentindo e paravam para observar, batiam palmas e se divertiam, porém, cada um com a sua maneira. Não posso mentir, eu estava cansada e esperando ansiosamente para que meu ônibus chegasse, mas se ele resolvesse demorar mais um pouquinho eu não sentiria tanto. A caixinha de papelão do responsável por fazer aqueles pobres felizes não estava enchendo, mas ele não parecia triste.

É bobagem para nós que acessamos o mundo dentro de casa, no entanto, esse foi um dia diferente para aquelas pessoas. Dentro de alguns minutos, esqueciam seus problemas e angústias e se divertiam de verdade, se permitiam. Foi assim que aquilo que parecia ser tão esquisito para mim, se tornou admirável.

Bárbara Saryne – BDI

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