Relatos de assédio e abuso explodem na ginástica

Nile Wilson — Foto: Reprodução/British Gymnastics

A revelação dos casos de assédio moral e racismo no Esporte Clube Pinheiros são mais um capítulo da crise que assola a ginástica artística em todo o mundo. O Esporte Espetacular, da TV Globo, mostrou neste domingo (23) que uma auditoria interna feita no clube da capital paulista recolheu relatos de atletas de assédio moral e injúrias raciais – o documento cita situações que envolveram Jackelyne Silva, morta em 2019, e Angelo Assumpção.

Os casos de abusos sexual e de autoridade e assédio moral na modalidade passaram a eclodir a partir de junho de 2015, quando foi feita a primeira denúncia feita contra o médico Larry Nassar (da federação americana, a USA Gymnastics). Uma das primeiras a acusá-lo foi a ex-ginasta Rachael Denhollander.

Os repetidos abusos de Nassar, relatados por mais de 120 ginastas que escreveram uma carta ao Departamento de Justiça dos EUA há dois meses, foram objetivo de investigação do FBI.

Em fevereiro de 2018, o médico foi condenado a até 360 anos de prisão pela Corte do Condado de Eaton, na cidade de Charlotte, na soma de suas sentenças – por molestar mulheres e posse de pornografia infantil.

Os principais executivos da USA Gymnastics e do USPOC (Comitê Olímpico e Paralímpico dos Estados Unidos) foram acusados de negligência. Penny, por exemplo, chegou a ser preso e acabou banido da instituição.

A descoberta de tamanho escândalo encorajou outros atletas a irem a público sobre o ambiente tóxico dos treinos e competições da ginástica artística.

No Brasil, o caso mais grave foi revelado pelo Fantástico em abril de 2018, de que diversos atletas acusaram o ex-técnico da seleção Fernando de Carvalho Lopes de abuso sexual. Entre os que o acusaram estava o ginasta Petrix Barbosa. O processo do qual Lopes é réu foi suspenso em fevereiro por decisão da Justiça.

Atletas da Suíça, Japão, Austrália e Reino Unido relataram recentemente situações de abuso físico e emocional, como humilhações e traumas ao longo de suas carreiras. Por causa disso, a federação britânica de ginástica, por exemplo, abriu uma investigação independente para apurar as denúncias na ginástica rítmica.

Na artística, o britânico, Nile Wilson, bronze nas Olimpíadas do Rio, afirmou que “ginastas são tratados como pedaços de carnes e recebem o mínimo”.

– Nós ficamos quietos, fazemos o que eles mandam. Somos nós que ganhamos aquelas medalhas e ainda assim os ginastas são tratados como pedaços de carnes e recebem o mínimo – disse.

A Holanda, que também teve medalhistas nos Jogos do Rio (Sanne Wevers foi ouro na trave), foi outro país cuja federação anunciou a abertura de investigações para apurar abusos, segundo o ge. No caso, em sua seleção feminina.

No início de agosto, a romena multicampeã olímpica Nadia Comaneci, posicionou-se em relação sobre relatos de abusos e assédios ao redor do mundo.

– Muitas coisas horríveis aconteceram nos últimos anos. Este é o momento perfeito, não apenas na ginástica, para que todas as organizações encontrem as melhores regras e leis para garantir a segurança (das atletas) em qualquer lugar – disse Nadia ao jornal britânico “The Telegraph”.

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