Presidente do Líbano diz que míssil pode ter provocado explosão

Imagem: AFP

O governo do Líbano está sob fogo cerrado. Acusado de negligência na explosão que matou mais de 150 pessoas em Beirute, na terça-feira, e à beira de uma crise humanitária, após a destruição de estoques de comida e remédios, o comando do país enfrenta a fúria da população.

Sob pressão, o presidente libanês, Michel Aoun, disse nesta sexta-feira, 7, que a tragédia pode ter sido causada “por intervenção externa”, citando a hipótese de “um míssil”.

“É possível que tenha sido causado por negligência ou por uma ação externa, com um míssil ou uma bomba”, declarou Aoun, três dias após a catástrofe.

Foi a primeira vez que uma autoridade mencionou a hipótese de uma causa externa ter provocado a explosão. Até o momento, a versão mais utilizada era a de que a tragédia teria sido provocada por um incêndio em um depósito de nitrato de amônio.

Hoje, ex-funcionários do porto e membros do governo admitiram que cerca de 40 sacos de fogos de artifício vinham sendo estocados no porto, no mesmo hangar onde estavam 2.750 toneladas de nitrato de amônio, material altamente explosivo usado em fertilizantes e bombas. Muitos acreditam que a carga tenha causado o primeiro incêndio, que provocou a explosão.

A carga do material inflamável havia sido confiscada de um navio russo havia seis anos. Desde então, por pelo menos dez vezes, autoridades da alfândega, agências de segurança e militares manifestaram preocupação com o fato de o produto estar armazenado de maneira inadequada. A inércia do governo agravou a crise de confiança da população com o Estado.

Hoje, Aoun, de 85 anos, no poder desde 2016, disse ter sido informado do estoque de nitrato de amônio há três semanas. O presidente libanês afirmou também ter solicitado a seu colega francês, Emmanuel Macron, imagens que determinem se havia aviões no espaço aéreo ou mísseis no momento da explosão.

“Caso os franceses não tenham estas imagens, vamos pedir a outros países”, disse Aoun, que rejeitou uma investigação internacional.

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