Os critérios para julgar uma escola de samba

samba e fantasia 3

Amigos do BDI, hoje finalizaremos o tema proposto na coluna da última semana. Enfim, já ficou provado que a regra não é tão clara assim…

Falaremos do módulo visual que é divido em três quesitos: enredo, fantasia e alegoria.

Enredo : É a história que a escola pretende contar na avenida, só que para ser bem avaliada nesse quesito não basta passar a história, pois o que conta de fato é a compreensão por parte do público e, logicamente, dos julgadores.

Fantasias, samba, coreografias , encenações e alegorias ajudam na leitura do que o carnavalesco pretende passar com o tema. Podemos destacar também que neste quesito a comissão de frente é julgada, exceto quando adota apresentação tradicional, a bateria é avaliada quanto à adequação e aproveitamento e o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, que pode optar por se apresentar nas cores da escola ou representando algum ponto da história contada no sambódromo, porém os demais casais deverão ser inseridos obrigatoriamente no enredo. Um ponto interessante do manual do julgador é que nele consta que os jurados não podem punir merchandising, seja implícito ou explicito.

Os julgadores devem ficar atentos à sequencia do desfile, portanto a inversão de alas e alegorias em termos de posicionamento é punida, bem como a inclusão de alas ou alegorias que não estejam na pasta dos jurados. É avaliada também a criatividade e originalidade, e de que forma a escola procurou transmitir o seu tema proposto.

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Fantasia: Julga-se a criatividade que foi utilizada pelo carnavalesco na concepção em termos de cores, materiais e com os mínimos detalhes das fantasias. O acabamento das mesmas também é avaliado. Os jurados recebem de cada agremiação uma pasta, onde constam os desenhos das fantasias, portanto se a fantasia estiver diferente do que esta apresentado na pasta, fatalmente perde-se pontos. Vale lembrar que não são julgados neste quesito: comissão de frente, casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, que estiver portando o pavilhão oficial da agremiação, diretoria da agremiação, mestre e diretores de bateria, diretores e apoios de harmonia, evolução e disciplina, time de canto, componentes que desfilem sobre alegorias, velha guarda (caso não venha inserida no enredo) e ala de convidados.

Alegoria: cabe explicar que alegoria é qualquer elemento que está sobre rodas , até componentes humanos. São avaliados a criatividade no uso de cores, os materiais usados e os efeitos causados pelos mesmos, incluindo o efeito causado pela coreografia e, por fim, é verificado o acabamento dos carros, pinturas mal feitas, ferragens aparentes e qualquer elemento que atrapalhe no entendimento da representação da alegoria.Também são punidas as escolas que apresentem falhas nas esculturas, tecidos, ausência de destaques e composições, falhas de iluminação graves e presença de elementos estranhos na produção. É importante destacar que o jurado só avalia as alegorias que entram na avenida.

Para finalizar, destacaremos o módulo dança:

Marcelo de Jesus/UOL Mais

Foto: Marcelo de Jesus/UOL Mais

Mestre-sala e porta-bandeira : um dos momentos mais sublimes do desfile é quando o casal apresenta o seu pavilhão. O casal é julgado através desse módulo. Eles não sambam, na verdade, eles bailam.

Os jurados tiram nota neste quesito quando o mestre-sala esbarra de forma brusca no pavilhão, quando fica muito tempo de costas para porta-bandeira e se o pavilhão bate em seu rosto. Fazer movimentos que não estejam direcionados à porta-bandeira ou ao pavilhão e encostar o joelho no chão ou cair durante a apresentação também pune a escola. Já a porta-bandeira, é penalizada se durante a apresentação se curvar para qualquer pessoa ou deixar o pavilhão encostar no seu corpo ou no mastro. É a avaliada também a criatividade nos “passos” do bailar do casal, e por fim, é julgada a fantasia.

Comissão de Frente : A comissão é julgada através da sua expressão e comunicação com o público. A ela é dada a liberdade de evoluir da forma que achar melhor, no entanto é exigido que essa evolução transmita aos foliões com clareza a proposta do carnavalesco, além de ser observada a criatividade. Outro fator importante é a sintonia entre os componentes da comissão durante a coreografia e a correta utilização do espaço para ajudar na visualização da idéia proposta. Por último, é julgada fantasia dos integrantes.

Evolução: Dançar conforme o ritmo, mesmos as alas coreografadas. Não são julgados neste quesito: diretoria da agremiação, diretores de harmonia, diretores de evolução, diretores de disciplina e apoios, bateria e time de canto. Os diretores da agremiação só serão penalizados se atrapalharem os demais componentes e as alas de velha guarda, baianas, crianças, portadores de necessidades especiais e convidados não serão julgadas.

São punidas de fato as variações de velocidade durante o desfile ou quando param o movimento rítmico, ressalvando os caso em que fazem parte da coreografia da ala. Também é questão de perda de pontos quando há retrocesso de alas ou componentes e alegorias.

O jurado pune o popular “desfile militar’’, quando os componentes evoluem sem vibração, apenas em linha reta e também as alas em que a fantasia impeça seus componentes fazer sua entrega total em termos de empolgação e movimentação. Perde pontos neste quesito a escola que apresentar componentes de uma no perímetro de  outra, também são punidos quando o espaçamento entre as alas deixam de ser constantes, ou seja, não pode haver muito espaço entre uma ala e outra, e esse espaço tem que ser mantido entre todas as alas e, por fim, não é permitido clarão dentro de cada ala.

Chegamos ao final da nossa tentativa de destrinchar o regulamento do carnaval de São Paulo. Nas próximas colunas continuaremos falando dos enredos das Escolas do Rio e de São Paulo.

“Samba & Fantasia”, toda sexta-feira, às 20h, no BDI.

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