O racismo continua, e a impunidade, também

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“Espero, sinceramente, que casos como esse sejam severamente punidos, pois, enquanto isso não acontecer, nada vai mudar”, disse Arouca, volante do Santos, após o jogo contra o Mogi Mirim pelo Campeonato Paulista de 2014, no qual foi alvo de racismo de parte torcida adversária. Foi dito, inclusive, que ele deveria procurar uma seleção africana para jogar. Depois disso, vieram outros casos, provando que o jogador estava, infelizmente, certo. A equipe interiorana foi multada em R$ 50 mil e ninguém foi preso.

Ainda neste ano, o juiz Márcio Chagas da Silva encontrou bananas em seu carro depois de apitar Esportivo e Veranópolis pelo “gauchão”. O caso foi parar na Justiça Desportiva e o pleno do TJD decidiu tirar nove pontos do Esportivo. Pra variar, ninguém foi preso.

Tinga, que hoje joga pelo Cruzeiro viu a torcida do Real Garcilazo, do Peru, emitir sons de macaco quando ele pegava na bola em partida válida pela Libertadores. A cena não é novidade para o atleta. Quando defendia o Internacional, viu parte dos integrantes da organizada do Juventude o tratarem da mesma forma. Em ambas as ocasiões, os clubes foram penalizados em R$ 28 mil e R$ 200 mil, respectivamente, contudo ninguém foi preso.

As situações certamente não representam nem 10% dos atos racistas já vistos nos campos de futebol, especialmente no Brasil, que ainda sofre menos do que a Europa nesse quesito. Entretanto, existe um ponto em comum entre os relatos acima: a frase “ninguém foi preso” foi repetida intencionalmente em todos eles.

A impunidade ainda transita livre em casos de racismo no país. Não há um sujeito sequer encarceirado por tal crime. Para quê existe a lei, então? O caso mais recente foi a violência contra o goleiro Aranha, também do Santos, que no duelo contra o Grêmio pela Copa do Brasil, ouviu coros de macaco atrás das traves. Ele tentou parar o jogo, mas teve o pedido negado pelo árbitro Wilton Peireira Sampaio, que foi punido em R$ 1.200 e 90 dias afastado da função. Já o tricolor gaúcho, levou multa de R$ 54 mil e foi excluído do torneio.

As câmeras filmaram vários torcedores gremistas ofenderem o arqueiro, porém somente Patrícia Moreira da Silva, de 23 anos, foi focalizada e perseguida por mídia e justiça. Posteriormente, a dentista perdeu o emprego e teve a casa incendiada por populares. Mas, será que o caminho é esse? A culpa não pode ser de uma pessoa só. Todos que praticaram crimes devem ser punidos, conforme a lei. Por que só ela? Ela sim, mas os outros também. Os erros e a impunidade demonstrados até então não podem servir de desculpa para uma nova pena branda. Que a “vista grossa” se acabe! Que culpados sejam punidos! Que o futebol seja um esporte de, no mínimo, respeito.

@LucasCanosa – BDI

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