O humor brasileiro respira por aparelhos

Jô Soares, Carlos Alberto de Nóbrega, Renato Aragão e Moacyr Franco: é muito provável que estes sejam os últimos grandes humoristas vivos no Brasil, com uma ou outra exceção aqui, esquecida por pura amnésia, certamente constata-se que é muito pouco para um país que tanto gosta de rir. 

Sem saudosismo barato, mas é certo que os comediantes novos, embora muito talentosos e com grande potencial, em regra, estão partindo para um lado em que o humor não precisa estar: a baixaria, as brigas judiciais e as piadas de mau gosto, que não deveriam fazer parte do repertório deles.

É, sim, possível fazer humor atualmente sem apelação. É certo que Golias, por exemplo, continuaria reinando absoluto neste mundo sem sequer ofender um ser humano. Contudo, ele morreu e o prometido foi não abusar do saudosismo. Vejam o Leandro Hassum, mata qualquer um de rir em menos de um minuto sem ofender ninguém. O mesmo exemplo segue seu companheiro no programa “Caras de pau”, da Globo, Marcius Melhem, O atrativo, produzido entre 2010 e 2013, inclusive, ficava muito abaixo do que a dupla pode fazer, mesmo obtendo boa audiência.

Marcius Melhem (à direita) protagoniza o programa “Caras de pau” com Leandro Hassum (à direita).

A pergunta que fica é: O humor tem limites? Não! Cada comediante tem o seu limite e o bom senso mostra até onde podem chegar. Todavia, alguns deles quebram essas barreiras, causando polêmicas e repercussões negativas, é preciso aprofundar no caso do Rafinha Bastos com a Wanessa Camargo para citar um exemplo? Não…

Os grandes ficam, os menores adquirem uma fama de 15 minutos e depois, simplesmente desaparecem. O abuso não é o caminho de ninguém. O humor escrachado é legal, é prazeroso, sem abusos. O Danilo Gentili tem feito isso com maestria no “The Noite”. Danilo, aliás, fez uma declaração inteligente no programa de Roberto Justus na Record: questionado pelo apresentador sobre uma piada de péssimo gosto que fez citando o holocausto, Gentili respondeu: “A partir do momento que você riu de uma piada de loira, por exemplo, você perde o direito de questionar sobre uma piada preconceituosa”. Faz sentido. Não precisamos de hipocrisia também. Entretanto, o humor é engraçado, até certo ponto. Não há graça quando se humilha o próximo por alguma característica ou um fato, torna-se um crime. Contudo, na dosagem certa com esses nomes que se apresentam hoje, teríamos um humor de verdade, engraçado, onde não seria preciso mulheres peladas no meio de um programa para atrair audiência. Analisando todos esses casos, conclui-se que a graça ficou toda com o Chaves.

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