O Fluxo Inverso nos Vegetais e as Curiosidades das Tartarugas

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Árvores que captam água pelas folhas e transportam à raiz

Entre o céu e a terra

Para sobreviver, as plantas, como todos os seres vivos, necessitam de água e nutrientes. Nos vegetais, o caminho da água é bem conhecido: absorvido pela raiz, a água contendo sais minerais inorgânicos percorre pelo xilema para ser distribuído até atingir as folhas, onde o metabolismo das células produzirá compostos orgânicos que serão distribuídos pelo floema. Ao menos isso era o paradigma na biologia vegetal.

As plantas costumam perder água para o ambiente através de pequenos orifícios nas folhas, denominados estômatos, que se abrem ou fecham conforme disponibilidade de luz e água no ambiente. Essa transpiração das plantas resulta em cerca de metade da umidade do ar nas florestas. Mas em condições em que o ar está mais úmido que o solo, nem sempre o paradigma permanece, o que automaticamente faz com que o paradigma, não seja mais um paradigma, correto?

Em regiões onde há escassez de água, as plantas conseguem trabalhar de uma forma surpreendente: elas são capazes de absorver água pelas folhas e transportá-la até a raiz, por dentro da planta.

Em condições de solo seco sob neblina, pesquisadores brasileiros mostraram que folhas de árvores localizadas na serra da Mantiqueira, Mata Atlântica, absorvem a água de sua superfície e leva à raiz através de seu sistema vascular. O que torna isso mais interessante é o fato de que as folhas possuem uma fina camada de cera impermeável a fim de evitar a perda de água para o ambiente.

Na realidade, este evento já foi demonstrado em outras espécies de outras regiões anteriormente, como em sequoias, árvores no deserto do Atacama, dentre outras. No entanto, é a primeira vez que há relato deste fluxo inverso em árvores da floresta tropical.

Com essa descoberta, muitos livros-texto em biologia devem ser atualizados. Afinal, segundo o próprio pesquisador que coordenou a pesquisa na floresta tropical disse: “essa constatação muda como enxergamos a interação entre as árvores e a atmosfera”, e é importante que isto seja repassado aos alunos. Ajude a divulgar 🙂

 

As Curiosidades das Tartarugas

Tartaruga-de-couro

Tartaruga-de-couro. Créditos da imagem: http://www.itsnature.org/sea/other/leatherback-turtle/

A tartaruga nos é conhecida como um animal lento, aquático, que possui uma proteção resistente por onde se esconde quando se sente ameaçada (nem todas espécies conseguem fazer isso), e que vive por muito tempo. Vamos discutir algumas características interessantes destes animais.

A tartaruga é um réptil muito antigo, mais antigo do que os lagartos e as serpentes. Estima-se que surgiram cerca de 215 milhões de anos atrás. Seu tempo de viva gira em torno de 150 anos, embora a tartaruga de Darwin tenha atingido os 176 anos de idade. As maiores tartarugas podem atingir 900kg de massa corporal.

O casco de proteção da tartaruga é formado por cinquenta ossos diferentes, e corresponde à uma modificação evolutiva da caixa torácica e coluna vertebral. Na biologia, denominamos o casco superior da tartaruga de carapaça, e a parte inferior, pastrão, sendo ambos unidos por uma ponte óssea. E ao contrário do que muitos pensam, esta proteção das tartarugas possuem nervos e vasos sanguíneos e, portanto, se agredido, pode ocorrer sangramento e o animal irá sim sentir dor.

A reprodução das tartarugas é interessante, os órgãos genitais masculinos e femininos estão presentes na cloaca, localizada na base interna da cauda. As tartarugas são ovíparas e, portanto, deixam ovos. As fêmeas podem armazenar o esperma por vários anos antes soltar os ovos. Algumas espécies botam apenas um ovo na desova, enquanto outras podem colocar até 140. A maior tartaruga marinha consegue colocar 100 ovos em 10 minutos. Interessantemente, há espécie em que o sexo das tartarugas é definido pela temperatura local, onde em menor temperatura nascem machos, e em maior, fêmeas. Os filhotes das tartarugas são independentes ao nascer, e passam por grandes ameaças até atingir a fase adulta, sendo poucos os que conseguem alcançar tal fase.

Referências:
http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/06/05/caminho-inverso/
Journal of Heredity: Turtle Mating Systems: Behavior, Sperm Storage, and Genetic Paternity
http://www.animalplanet.com/tv-shows/call-of-the-wildman/lists/10-weird-turtle-facts/
http://www.ehow.com/how-does_4566949_do-turtles-mate_.html

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Autor: Cainã Max Couto da Silva – Biólogo, pesquisador e fundador do Canal Biociências.

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