No dia do trabalhador até a alegria é terceirizada

carteira de trabalho

A volta para casa do dia 30 de abril foi um dia diferente. A pressa para entrar no trem, pegar o primeiro ônibus, acelerar os passos até chegar ao portão de casa são atitudes comuns em vésperas de feriado. O que importa é que no dia seguinte, você não precisa acordar cedo, pegar transporte público para chegar ao trabalho, atender ao telefone dizendo o nome da empresa e fazer marmita.

Para muitos, a razão de existir no nosso calendário um dia exclusivo para o trabalhador é o que menos importa. Talvez, a última vez que você ouviu algo sobre isso, foi no colégio, quando era obrigado a copiar aqueles textos dos professores de História, que sem didática e motivação, achavam que o aluno estaria preparado para prestar vestibular apenas com suas aulas.

Há alguns meses, um assunto que está sendo muito comentado e é de interesse dos trabalhadores, mas muita gente continua sem querer saber do que se trata é a criação do Projeto de Lei- 4330 que permite a terceirização de todas as funções em uma empresa, o que pode gerar salários mais baixos e jornada maior de trabalho. 

Na última quarta-feira, 22 de abril, por 230 votos a favor e 203 contra, o plenário votou a favor da emenda. Além de permitir que empresas subcontratem também para atividade-fim, o projeto diminui de 24 para 12 meses a quarentena que o ex-empregado de uma empresa deve cumprir para que possa oferecer serviços à mesma empresa no âmbito de uma contratada de terceirização. O projeto segue agora para o Senado, onde pode sofrer mudanças.

Pelo jeito, a terceirização não está presente apenas no plenário. Nesse feriado, não é todo mundo que vai fazer o que planejou. Alguns são obrigados a terceirizar a alegria sem precisar de aprovação na câmara. Quando o colega diz que vai viajar, a resposta é sempre a mesma: “Se divirta por mim”.

Sobre a data:

No dia 1° de maio de 1886, milhares de trabalhadores foram às ruas de Chicago (EUA) protestar por melhores condições de trabalho. No ano seguinte, trabalhadores de países europeus também decidiram parar por protesto nesse dia. Em 1889, na França, o 1° de maio se tornou um dia de homenagem aos manifestantes e foi aí que essa ideia se espalhou pelo mundo.
Com a influência de muitos imigrantes europeus, o Brasil também possui uma forte relação com esse feriado. Em 1924, o então presidente Artur Bernardes decretou feriado oficial no país. Além do reajuste anual do salário mínimo acontecer por muitos anos nesse dia, Getúlio Vargas, em 1943, anunciou a consolidação das Leis do Trabalho, também, no dia 1° de maio.

Mande um e-mail para a colunista: barbarasaryne@bastidoresdainformacao.com.br

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