Saiba mais sobre o efeito biológico do sexo, em nosso cérebro, e sobre os mamíferos marsupiais

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O sexo ativa o sistema de recompensa do nosso cérebro!

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“Leões copulam de 15 em 15 minutos durante três dias. Raposas voadoras têm 20 segundos de sexo oral dependuradas de cabeça para baixo, depois o macho penetra e dá estocadas durantes outros 20, ejacula durante nove segundos, e após exatos 35 segundos de descanso começa tudo de novo. Camundongos marsupiais australianos passam 12 horas copulando freneticamente, e depois podem até morrer de exaustão” (Suzana Herculano-Houzel).

É comum ouvir que a função do sexo é procriar. Nas aulas convencionais de biologia aprendemos isso.

Mas, seria apenas isso?

Sabemos que o sexo em animais (mamíferos) pode, eventualmente, ocasionar a gravidez, exceto, é claro, em humanos, que malandramente inventaram uma forma de contornar este evento, através de preservativos, picos de hormônios, etc. Interessantemente, apesar do sexo ter tal função primária ou não, se ele não fosse interessante, nós e todos os demais animais não o faria. Os animais não param simplesmente e pensam: “– Hmm, está na hora de procriar; vou copular um pouco para tentar exercer meu papel biológico em minha espécie”. Não funciona assim. O sexo dá trabalho e consome energia, ou não?! Todos as nossas ações têm uma explicação biológica a nível celular, que nos permite entender o porquê de tais atitudes. E qual seria a explicação para o sexo? Simplesmente reprodução não responde muita coisa a nível biológico, no sentido do que acontece em nosso organismo. A conclusão mais óbvia, no entanto, é o prazer.

O sexo, além de gerar uma ótima sensação de bem-estar, apresenta outras peculiaridades biológicas muito interessantes. Primeiro, em testes humanos e animais já foi demonstrado que o sexo ativa o sistema recompensa do cérebro, ou seja, áreas específicas de nosso cérebro responsáveis pelo “quero mais”. O sexo é tão bom que ativa o mesmo sistema daqueles ativados por vício em drogas! Outra função interessante do sexo é seu efeito como analgésico. Pacientes submetidos a um teste para colocar as mãos em um balde de gelo até não aguentarem mais, conseguem aguentar duas vezes mais se pensarem, ao mesmo tempo, em fantasias sexuais!

Estudos têm demonstrado que o lado direito do cérebro é o responsável por controlar o nosso apetite sexual; mais especificamente, o orgasmo. Por esse motivo, pacientes que passam por cirurgias no lado direito do cérebro, ou que possuem crises epiléticas que contatam esta região, tem um orgasmo involuntário (sim, muitas vezes os pacientes estão gozando enquanto os médicos fazem a cirurgia em seu cérebro!). Interessantemente, o orgasmo resulta numa gama de hormônios de prolactina, responsável, por exemplo, pelo “basta” do sexo. Quando há muita prolactina, dificilmente teremos desejo sexual proeminente. Isso se resume no final do principal texto-referência aqui utilizado: “ […] a chance de qualquer um levantar logo após um orgasmo para ir procurar satisfação nos brações de outro é mínima. Uma grande maneira de segurar alguém na cama…”.

Além de estimular o ato que levará à procriação, o sexo também ajuda diretamente na fecundação. Mulheres que tem orgasmo um pouco antes ou logo após o orgasmo masculino possuem maiores chances de engravidar. Em modelos animais, as fêmeas que controlam o ritmo do sexo apresentam maiores chances de inseminação.

De fato, o sexo tem o propósito primordial de gerar uma prole. Mas sem o prazer para incentivar e ajudar neste aspecto, seria muito mais complicado e, claro, sem graça. Há quem diga que o sexo se tornou uma função secundária em humanos. Não ousaria dizer que está certo ou errado, mas concordo que ele nos ajuda muito, biologicamente falando, mesmo sem quaisquer intuitos reprodutivos. Todavia, evolutivamente, o sexo tem a função de procriar e, o prazer, exerce muito bem seu papel neste aspecto.

Curiosidade: Cangurus – Mamíferos marsupiais

Para entender melhor o grupo dos mamíferos marsupiais, grupo ao qual pertence os cangurus, é importante saber sobre a classificação geral dos mamíferos. É fácil, vejam só:

Cangurus

Os mamíferos podem ser divididos em três sub-grupos: Prototheria, Metatheria e Eutheria, conforme o seu “nível de desenvolvimento da placenta”, poderíamos dizer. O grupo Prototheria está representado pelos ornitorrincos e equidnas, descritos no último post do Ciência em 5’, animais sem placenta e que botam ovos. Entre os principais representantes do grupo Metatheria estão os cangurus, coalas e os gambás, que apresentam uma placenta sub-desenvolvida – apenas a placenta denominada cório-vitelínica – e cujos filhotes nascem normalmente, porém completam seu desenvolvem fora do ambiente interno da mãe. Já iremos discorrer sobre isso. E por fim temos o grupo dos Eutheria, representado pela maioria dos animais, e cujo desenvolvimento é completamente desenvolvido no ambiente materno, interno, como na espécie humana. Pronto! Agora ficará mais fácil e agradável seguir a leitura sobre os cangurus.

Os cangurus, como mencionado, pertencem ao grupo dos mamíferos marsupiais, logo, Metatheria. Não apenas os cangurus, mas todos os animais pertencentes à divisão Metatheria são chamados de marsupiais. E o motivo é simples: lembram-se quando vos disse que os animais do grupo Metatheria se desenvolvem fora do ambiente interno da mãe? Esse ambiente é como um bolsa chamada de “marsúpio” (daí o nome de mamíferos marsupiais), que abriga os filhotes e contém glândulas mamárias em seu interior, onde duas delas dão leite continuamente. Nos cangurus fêmeas, o marsúpio parece uma pochete (vide figura). A gestação de um canguru dura de 30 a 40 dias, e o animal nasce ainda muito imaturo e fica no marsúpio por volta de 1 ano para se desenvolver e para ter proteção.

Canguru filhote no marsúpio de sua mãe

Canguru filhote no marsúpio de sua mãe.

Os cangurus habitam as planícies da Austrália e Papua Nova Guiné, sendo endêmico (“restritos”) dessa área e suas proximidades. Sua alimentação baseia-se em frutas e vegetais. Eles possuem a pata traseira muito desenvolvida e as dianteiras pequenas e úteis na captura de alimentos. Entre as maiores espécies, o macho atinge 1,5m de altura sendo que a fêmea possui uma estatura menor, aproximadamente metade da altura do macho.

São conhecidos por seus saltos. A cauda é grande e com músculos bem desenvolvidos, e costuma utilizar como apoio quando caminha ou quando está sentado e, ainda, ajuda no equilíbrio enquanto salta. Cada salto que dá, eleva-se a 2,5 metros de altura e conseguem saltar a uma distância de 8 ou 9 metros. A pata traseira que é mais desenvolvida desempenha o maior esforço para o impulso. São animais velozes e os adultos podem chegar a atingir 50 a 60 km/h.

Por fim, a título de curiosidade, os cangurus são chegados em uma briga! Ambos os sexos brigam entre si, mas o tipo de luta via “box” é praticado predominantemente pelos machos. Eles adotam uma postura em pé e socam uns aos outros na cabeça, ombros e peito. O motivo? Mulher, claro! Mas também há briga por alimento, água e território. Veja a luta dos cangurus clicando aqui.

Fontes:
Herculano-Houzel, Suzana. Sexo, drogas, rock’n’roll… & chocolate: o cérebro e os prazeres da vida cotidiana. 2 ed. Rio de Janeiro: Vieira & Lent, 2012. Obs.: Os artigos científicos originais (5) podem ser encontrados na lista de referência deste livro.
http://www.eoearth.org/view/article/158765/
http://www.defenders.org/kangaroo/basic-facts
http://hypescience.com/10-fatos-surpreendentes-sobre-marsupiais-australianos/

 

  canal biociencias     Autor: Cainã Max Couto da Silva – Biólogo, pesquisador e fundador do Canal Biociências.


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