Mecanismo da sede e a Curiosa genética dos gatos

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Mecanismo da Sede

Que a água é importante, todos sabemos! Nosso corpo é composto por aproximadamente 70% de água e, nosso cérebro, 78%. Mas poucos sabem qual o mecanismo da sede. Sabemos o porquê devemos beber água, mas não como nosso corpo faz essa “solicitação” e, mais importante, como sabemos a quantidade certa de água para tomar. Vejamos isso.

water

A causa principal da sede consiste na ausência de água suficientemente no sangue, o que denominamos de osmolalidade do plasma sanguíneo. Interessantemente, não vamos ficando com sede de maneira gradual, enquanto a quantidade de água no sangue decai, não, ficamos com sede pontualmente. Nosso corpo tolera um aumento da “concentração” do sangue em 2%, e uma vez ultrapassado esse valor, pimba! Lembramos de tomar água. E o mais interessante nisso tudo é o seguinte: o volume de água que costumamos beber quando estamos com sede é justamente o necessário para corrigir a concentração do sangue, ou osmolalidade do plasma sanguíneo, e a captação de água ocorre somente após 1 hora lá no intestino. E qual seria o mecanismo pelo qual bebemos isso? Bom, nós temos os “sensores da sede” localizado nos ventrículos (cavidades) do cérebro, mas também temos “sensores de saciedade”, que são receptores espalhados pela boca, esôfago e nas paredes do estômago, indicando o volume de água que ingerimos. Esse sistema ativa o hipotálamo – uma região do cérebro que controla diversas funções de nosso organismo, incluindo, aqui, a função de antecipar as mudanças metabólicas logo após ingerirmos o volume adequado de água (e sim, necessitamos ingerir, e não apenas molhar a boca), para que não fiquemos bebendo água até a correção da osmolalidade do plasma sanguíneo, e nem teria como! Enquanto o hipotálamo realiza as mudanças metabólicas, uma outra estrutura do cérebro chamado córtex cingulado é o responsável por mensurar a osmoladidade e aplacar a sede na hora certa, sendo ele que define o volume adequado de água que devemos beber, e bebemos…

Bom, já que mencionamos o mecanismo da sede, cabe aqui também quebrar aquele mito de que devemos beber dois litros de água por dia, né!? Bullshit! Esse boato se iniciou após observação de que perdemos cerca de dois litros de água por dia, e supostamente deveríamos beber a mesma quantidade para recompensar. Acontece que não ingerimos água apenas quando bebemos diretamente da fonte. Adquirimos grande percentagem de água proveniente dos alimentos, e outra parte do ar inspirado. Segundo a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, um litro de água é o suficiente por dia, o que significa, praticamente, que devemos beber água quando sentirmos sede.

Por fim, cabe ressaltar que de forma semelhante ao mecanismo que foi aqui mencionado para água, o nosso organismo “antecipa” o conteúdo de alimento que ingerimos, a fim de saciar e, em contrapartida, nos deliciar com o privilégio do paladar.

 

A Curiosa Genética dos Gatos

Gato Tricolor

São muitas as pessoas que gostam de gatos. Eles são fofos, manhosos, e gostam de carinho. E tem uma curiosidade genética que é interessante abordar aqui.

Podemos diferenciar os machos das fêmeas, simplesmente olhando seu órgão genital, mas em alguns casos, podemos também definir isso observando a coloração de seus pelos. Funciona assim: os genes que codificam as cores preto e laranja estão alocados no cromossomo sexual X, e se bem lembrares, saberá que as fêmeas possuem dois cromossomos X (XX), enquanto os machos são XY, e por isso os machos podem apresentar apenas a cor preta, ou laranja (porque só tem um cromossomo X). Até aqui não resolveu muita coisa né, por que as fêmeas podem ser também apenas pretas, ou apenas laranja, caso os dois cromossomos X codifiquem a mesma cor, mas, se não, caso um X determine preto e o outro X determine laranja, então já sabes, trata-se de uma felinA. Evidentemente que sempre há exceções, como no caso de algumas anomalias genéticas, mas em situação padrão, os espécimes (indivíduos) que apresentam coloração preta e laranja são fêmas.

Claro que os gatos podem apresentar mais cores, como, por exemplo, a cor branca. Acontece que a cor branca se encontra um autossomo, ou seja, um cromossomo não-sexual que é, portanto, presente tanto nos machos quanto nas fêmeas. Existem três genes para a cor branca, e a codificação de outras cores é determinada por outros tantos genes.

 

Referências:
The Cat Fancier’s Association
Clínica Pronto Dog
Herculano-Houzel, Suzana. Sexo, drogas, rock’n’roll… & chocolate: o cérebro e os prazeres da vida cotidiana. 2 ed. Rio de Janeiro: Vieira & Lent, 2012. Obs.: Os artigos científicos originais (4) podem ser encontrados na lista de referência deste livro.

  canal biociencias     

Autor: Cainã Max Couto da Silva – Biólogo, pesquisador e fundador do Canal Biociências.

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