Lula gostaria de ter Moro como adversário em uma possível candidatura em 2022

Foto: Divulgação

O ex-presidente Lula (PT) evitou falar sobre uma possível candidatura à presidência da República nas eleições de 2022. No entanto, em entrevista a rádios da cidade de Feira de Santana, na Bahia, Lula disse que, ao contrário do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), não teria medo de enfrentar Sergio Moro em uma eventual disputa eleitoral.

“Se quiserem lançar o Moro, que lancem; eu não estou preocupado. O Bolsonaro é que deve estar”, acrescentou, cobrando do ex-juiz da Lava Jato que “escreva num pedacinho de papel” o motivo de sua condenação.

Ele também cita o procurador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, por acusá-lo sem provas em “uma hora e meia de PowerPoint”.

“Eu até gostaria de disputar com o Moro. Ter um debate eleitoral cara a cara para chamá-lo de mentiroso na TV sem a proteção da toga. Ele está fazendo tipo — fez no meu processo, sabe que ele mentiu e fez parte desse jogo sujo sujando a história do judiciário brasileiro”, afirmou.

“Foram mais 300 horas de Jornal Nacional falando que eu roubei sem direito de resposta. E até hoje estou esperando saber por que razão eu fui condenado”, prosseguiu.

“Faz dois meses que eu fui inocentado do quadrilhão pela Justiça do Distrito Federal. Apesar da disposição de participar de um debate com Moro, Lula afirmou que caberá ao PT, e não a ele, decidir quem disputará o pleito em 2022.

“É muito difícil a gente falar da gente mesmo. Vou estar com mais de 70 anos em 2022. Estou me cuidando porque quero viver muito. Quem decide quem é candidato a presidente é o PT e os aliados que construir. Hoje tem muitos nomes, mas teve tempo que só era eu. Quem decide é o partido. Jamais direi que vou ser o candidato. Não posso liderar se as pessoas não quiserem ser lideradas”, afirmou.

“Sinceramente, acho que o PT já me deu muito. Sair de Caetés (PE) e chegar onde cheguei é porque Deus, o PT e o povo brasileiro foram muito generosos comigo. Se olharmos, não é preciso eu ser mais candidato. Mas, fora do governo, vejo que tem muita coisa para fazer e que não fiz. Tenho certeza de que fui o presidente que mais fez pela inclusão social desse país. O Brasil foi protagonista internacional.”

Lula teve a candidatura barrada na eleição de 2018, quando o PT lançou Fernando Haddad, com Manuela d’Ávila (PCdoB) como vice. O ex-presidente disse que uma vitória na época poderia dar início a uma revolução silenciosa no Brasil.

“Se eu ganhasse em 2018, eu ia fazer uma revolução — sem nenhum tiro, silenciosa. O povo não precisa de arma, precisa de educação. É preciso acabar com o ódio disseminado pelo Bolsonaro e pelos milicianos. Queria ser candidato em 2018 para fazer isso: mais jovem nas faculdades, menos criminalidade, quanto mais jovem com comida na mesa, menos criminalidade”, afirmou.

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