Lobisomem: A Verdade Sobre a Lenda

Após as fotografias post-mortem, da semana passada, vamos conhecer as verdadeiras lendas sobre os lobisomens.

arquivo do horror

Assim como tantas outras criaturas lendárias, como os Vampiros e os Zumbis, os Lobisomens atualmente estão em grande evidência tanto no cinema quanto na literatura. Devido ao sucesso ($$$$) que fazem com o público a quantidade de obras relacionadas a eles aumenta a cada dia. 

Mas, infelizmente, muitas dessas obras não fazem jus às lendas que deram origem à essas criaturas. A criatividade dos autores desses filmes e livros acaba indo longe demais e a verdadeira origem dos Lobisomens acaba sendo esquecida. 

Essas lendas acerca da existência dos Lobisomens são bastante antigas, havendo referências sobre eles até mesmo na Grécia antiga, mas são poucas as obras que as seguem. Na grande maioria das vezes são criadas origens e até mesmo características totalmente novas, que muito pouco lembram os Lobisomens “originais”. 

Mas que lendas seriam essas que hoje alimentam a imaginação das pessoas pelo mundo afora? 

lobisomem

Não há um consenso sobre a origem do Lobisomem. Em várias partes do mundo existem lendas sobre ele e em comum elas se baseiam na ideia de um ser humano que se transforma em um lobo, ou em um híbrido metade homem e metade lobo, mas em ambos os casos o que se origina é criatura selvagem e sanguinária. 

Em algumas lendas o portador da “maldição” se transforma apenas em noites de lua cheia, querendo ele ou não. Já outras dizem que o amaldiçoado pode se transformar em qualquer noite, de acordo com sua vontade, mas a lua cheia lhe confere um poder maior. 

Algumas dessas lendas surgiram na Europa do século XVI, embora traços de crenças semelhantes estejam presentes em alguns Mitos da Grécia Antiga.  

Na obra As Metamorfoses de Ovídio, o personagem Licaão, o rei da Arcádia, foi transformado em lobo pela vontade de Zeus, que o amaldiçoou por ter-lhe servido carne crua. Há, ainda, a história dopugilista olímpico Damarco de Parrásia, conhecido como o Dinita, que assumiu a forma de um lobo após um sacrifício a Zeus e só retornou à forma humana nove anos depois. 

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Os Lobisomens também são conhecidos como Licantropos (do grego lykánthropus, que significa homem-lobo) e, de acordo com a região onde  a lenda sobre eles surgiu, são chamados por vários outros nomes: Versipélio, para os romanos, Volkodlák para os eslavos, o Werewolf ou Dracopyre segundo os saxões, o Werwolf dos alemães, o Óboroten dos russos, o Hamtammr dos nórdicos, o Loup-garou dos franceses, o Arbac-apuhc da Península Ibérica, etc. 

De acordo com os povos eslavos (oriundos da Europa central e oriental) o primeiro grande Licantropo (ou Lobisomem, se preferir) foi Victor Kruschev II, o Grand Duke de Podgorica, atual capital de Montenegro. Krushev II, de acordo com as lendas, foi convocado para apoiar o Império Sérvio contra a opressão Austro-Húngara. Como ele e seu exército eram grandes guerreiros especializados em ataques noturnos surgiram as primeiras lendas sobre Lobisomens, tamanha a ferocidade dos ataques que executavam. 

Na América do Sul a criatura também é conhecida como Lubiszon e Lubishome, em países que falam línguas de origem espanhola. 

No Brasil a lenda foi trazida pelos portugueses e, de acordo com ela, se um homem for mordido por um lobo em uma noite de lua cheia será amaldiçoado e passará a se transformar em Lobisomem. A maldição se perpetuará sempre que a criatura morder alguém, mas somente quando a lua estiver cheia. 

No sertão brasileiro a lenda ganhou diversas versões. Uma delas diz que o sétimo filho homem de uma sucessão de filhos do mesmo sexo sofrerá essa maldição. Em outras regiões dizem que se uma mãe tiver seis filhas mulheres e o sétimo for homem, ele será um Lobisomem. Em ambos os casos a maldição se manifestará quando o portador tiver treze anos de idade, de forma que não existem “crianças-lobisomem”.  

Existem também versões que falam que se um filho não for batizado poderá se transformar na criatura, quando adulto. Outra lenda diz que a transformação ocorre em noite de Lua cheia em uma encruzilhada, quando a criatura passa a atacar animais e pessoas para se alimentar de sangue, retornando à forma humana com o raiar do Sol. 

Segundo essas lendas é possível reconhecer o Lobisomem na forma humana por seus comportamentos estranhos, como súbitas mudanças de comportamento, ser pouco sociável e quase sempre possuindo profundas olheiras. O amaldiçoado, ainda, é uma pessoa muito atenta às outras, sempre desconfiando de tudo, provavelmente temendo que o fato de portar tal maldição seja descoberto. 

Um fato curioso a respeito da lenda é que a cidade de Joanópolis, próxima à divisa entre os estados de São Paulo e Minas Gerais, é considerada a capital mundial do Lobisomem por ser onde existe o maior registro de avistamentos da criatura em todo o mundo. 

Em algumas regiões do interior da Europa existe a crença de que os Lobisomens sejam homens de má índole transformados por bruxas. Elas os utilizam na guarda de seus covens (grupos de bruxas ou bruxos) como uma espécie de cães de guarda. Durante o dia esses homens as servem nos trabalhos braçais do campo e, à noite, perambulam pelos arredores de suas casas sob a forma lupina. 

Há ainda a teoria de que é possível se transformar em Lobisomem seguindo-se um tal de “Ritual de Licantropia”, onde remete-se ao satanismo e à bruxaria. Mas, como disse no início, começou-se a inventar muita balela sem ligação nenhuma com o mito original da criatura. 

A única forma de se matar um Lobisomem é atingindo-o com algum objeto feito de prata, normalmente uma bala, fato comum a todas as lendas que se referem à essas criaturas.

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Mas, o que diz a ciência a respeito do assunto? 

 A Psiquiatria diz que os Lobisomens (então tecnicamente chamados de Licantropos) são pessoas acometidas pela Licantropia, que é um distúrbio onde o indivíduo pensa ser ou ter sido transformado em qualquer tipo de animal. Neste caso acredita-se que exista um transtorno do senso de identidade própria, segundo a definição do psiquiatra Scharfetter. Tal transtorno é encontrado principalmente em casos de esquizofrenia e problemas afetivos, podendo ser encontrado também em outras psicopatias. Tal enfermidade psíquica pode ser interpretada como uma tentativa de exprimir emoções suprimidas, especialmente de ordem agressiva ou sexual, através da figura de um animal. Essa figura pode ser bastante variada, não sendo necessariamente um lobo. Para o tratamento do problema o uso de medicação neuroléptica pode ser bastante eficaz. 

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Já no âmbito clínico existe um grupo de doenças cutâneas chamadas Porfiria que pode ter sido uma das responsáveis pelo surgimento da lenda dos Lobisomens. As Porfirias constituem um grupo de pelo menos oito doenças genéticas distintas, além de formas adquiridas, decorrentes de deficiências enzimáticas específicas. Alguns dos sintomas decorrentes das porfirias são o surgimento excessivo de pelos, aumento de sensibilidade da pele à luz solar e problemas mentais decorrentes da dor excessiva. Em casos mais graves a doença chega a causar deformações no paciente. O conjunto de todas essas características incomuns somado à ausência de informação da população podem ter sido os causadores do surgimento das lendas acerca dos Lobisomens. 

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 Seria então a lenda do Lobisomem apenas um engano relacionado a pessoas enfermas, engano esse que se perpetuou através dos séculos, ou há alguma verdade nas inúmeras histórias sobre pessoas que se transformam em lobos? 

 Caso encontre algum deles em uma noite de lua cheia me conte como foi a experiência, se puder. 

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 O que esta aparentemente inofensiva boneca poderia fazer de mal a você? É isso que vamos descobrir na semana que vem, com o tema “bonecos malditos”.

Arquivo do Horror, toda quarta-feira, às 20h, no BDI.

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