João sem braço

Por Deyvid Xavier

Foto: © Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians

O futebol é um esporte maravilhoso e, ao mesmo tempo, complexo. Nas discussões sobre o esporte ou sobre um jogo (seja a discussão do bar ou jornalística), várias vertentes são ditas, um assunto puxa outro, várias ramificações, assim como os galhos de uma árvore.

O gol irregular de Jô com o braço no último domingo na partida entre Corinthians e Vasco mostra exatamente isto. Regra, ética, hipocrisia e inversão de responsabilidade são os “galhos” de uma árvore. A regra do jogo diz que toques intencionais com este membro do corpo que não vale neste esporte devem ser encarados como infração e tiro livre indireto, sendo passível até de cartão amarelo pela intenção do toque.

A ética (que seria o Fairplay na linguagem da bola) está sendo cobrada de Jô, mas estejamos atentos que essa questão não está na regra, portanto, fica em um plano de discussão abaixo da regra do esporte. Neste caso, o que pesa contra o atacante do Timão é o fato de estar envolvido naquele lance com o sãopaulino Rodrigo Caio, que usou o Fairplay para manter a justiça do futebol. Pesa mais ainda contra Jô todas as declarações dele após aquele episódio, já que, na primeira oportunidade de praticar tudo o que falou, assim não o fez.

A hipocrisia também aparece nesta “grande árvore” quando cobram a ética de Jô dentro do jogo, argumentando que ele deveria se acusar do gol irregular feito, mas não citam um pênalti claro sobre o mesmo atleta, que teve um toque no pé de apoio dentro da área ao tentar fazer uma jogada antes da maior polêmica da partida. Ninguém cobrou que o zagueiro do Vasco na ocasião se acusasse? Ninguém cobrou o Fairplay do atleta vascaíno para manter a justiça do futebol?

Com tudo isto em jogo, chegamos a “copa da árvore” a inversão de responsabilidade. Quando, num mesmo jogo, as duas equipes têm o que reclamar (um gol irregular e um pênalti claro não marcado) estamos esquecendo daqueles que estão trabalhando para que cumpra-se a regra do esporte: a arbitragem! O pênalti em Jô é lance para o árbitro da partida, possivelmente posicionado na entrada da área para observar o lance com clareza. Não o fez! Já o gol irregular de Jô é lance para o assistente adicional que está ao lado do gol (aliás, estes deveriam estar do lado oposto aos “bandeiras”).

A questão se agrava quando, neste mesmo campeonato, Luís Fabiano também fez um gol de mão na partida contra o Corinthians, Jô tem dois gols anulados por impedimentos, mesmo estando em posição regular (contra Coritiba e Flamengo), quando Gabriel é expulso sem ter feito falta no clássico contra o Palmeiras (e, neste caso, o árbitro foi avisado, mas sentou na sua própria arrogância). Não podemos crucificar os “homens do apito”. Assim como um atacante perde um gol feito, o goleiro leva um “frango”, o zagueiro falha, o meia erra passe e o técnico mexe errado, os árbitros são serem humanos passíveis de erros também. E, assim como a tecnologia ajuda os jogadores (material esportivo que não absorvem o suor, bolas que fazem mais curvas, que não absorvem água como antigamente) a arbitragem com estes erros crassos mostra, cada vez mais, que a tecnologia dos recursos de TV serão necessárias.

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