Guerra Fria Virtual?

Facebook

Com o crescimento desenfreado das redes sociais os internautas fizeram delas um campo de batalha onde se digladiam em nome de suas ideologias, e o palco mais utilizado para isso é o Facebook.

Mas não me refiro àquelas postagens de conteúdo duvidoso cujos links agregados expõem o usuário à vírus e trojans, mas sim ao que eu chamo de “brincadeira de mau gosto” que nada mais é do que a prática de denunciar páginas rivais com o intuito de que os administradores da rede de Mark Zuckerberg as tirem do ar.

E o pior é que eles tiram.

Em 2011 o governo petista criou as MAVs (Militância em Ambientes Virtuais), cuja função era originalmente rebater reportagens “negativas” contra o partido postadas na internet, principalmente no Facebook e no Twitter, de forma a tirarem o crédito do que se mostrava contrário ao governo.

Para tanto foram treinados militantes virtuais com o objetivo de que fizessem propaganda pró-governo e criticassem de forma maciça os “inimigos do partido”.

Lembremos do caso da famosa página “Dilma Bolada” que originalmente criticava de forma bem-humorada o atual governo e que, de uma hora para outra ($$$$$), virou a casaca e passou a ser seu aliado.

Desde 2013 ocorreu um verdadeiro boom de páginas defendendo o comunismo, o aborto, o feminismo, o movimento LGBT, entre outras pautas historicamente defendidas pelo governo que no momento controla o país, coincidentemente defendidas pela militância petista.

Em resposta também se multiplicaram as páginas consideradas “de direita” ou “conservadoras”, que na sua maioria apelam para o humor na tentativa de desconstruir as falácias ideológicas comunistas disseminadas pelo PT.

Surgiu, então, a rivalidade entre as páginas “de esquerda” e as “de direita” onde uma ataca o que é publicado pela outra, até então de forma civilizada, até o último final de semana.

No dia 01/11 um movimento coordenado acabou resultando na “derrubada” de quase uma dúzia das páginas consideradas “de direita”, que por serem denunciadas junto ao Facebook, acabaram saindo do ar.

As primeiras foram “Orgulho de Ser Hétero”, “Luana Basto”, “Humans of PT”, “Bolsonaro Zuero” e “Moça, Não sou Obrigado a ser Feminista” e não foi difícil descobrir quem articulou tal ação: bastava ler as postagens das páginas “Dilma Bolada” e “Militantes e Ativistas LGBT” onde os militantes sequer se deram ao trabalho de esconder quem fez as denúncias maciças.

Obviamente tal ação não ficaria impune e não demorou muito para que em algumas horas também fossem tiradas do ar ao menos cinco páginas ligadas aos direitos LGBTT, das mulheres e de pautas tidas como “de esquerda”, entre elas “Feminismo sem demagogia” e “Jout Jout Prazer”.

Ao que tudo indica, essa “guerra do derruba” não vai parar por aí, até mesmo porque é fácil criar essa páginas novamente, e acredito que novas ações devam estar sendo articuladas, só não se sabe para quando.

É uma espécie de Guerra Fria Virtual sendo instaurada, onde quem denuncia mais, chora menos.

Isso deixa evidente que há uma censura velada aqui no Brasil.

Fala-se tanto em liberdade de expressão e democracia, mas a opinião do outro só é respeitada se não for contrária à daqueles que, por algum motivo, são protegidos por esse governo que está no poder, por enquanto.

Vamos ver até onde isso vai.

 

Mande e-mail para o colunista: oscarmendes@bastidoresdainformacao.com.br

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