Filmes de Terror – Histórias Reais

arquivo do horror

Há quem diga não gostar de filmes de terror (digo, horror) por eles se basearem em histórias fictícias que só servem para dar medo e que não possuem conteúdo algum, como se assisti-los fosse “perda de tempo”.

Em resposta a esses “formadores de opinião” e “intelectualóides” decidi escrever uma  matéria mostrando que muitos filmes do gênero, por incrível que pareça, se baseiam realmente em fatos reais.

Verdade que muitas obras cinematográficas usam como marketing o conceito de se basearem em histórias verídicas, sem na verdade serem, mas não é esse o caso das obras a seguir.

Cada um tem o direito de gostar ou não do que quiser, mas acredito que antes de se expor uma opinião seja prudente conhecer o assunto em questão para que não se acabe fazendo papel de tolo.

Escolha o seu e tenha bons pesadelos (se tiver coragem), mas tenha cuidado para que sua vida (ou sua morte) não se transforme em enredo para algum filme do gênero.

Terror em Am

TERROR EM AMITYVILLE (The Amityville Horror, 1979).

Direção: Stuart Rosenberg.

Sinopse: Sem conhecerem o trágico fato a família Lutz mudou-se para uma casa onde houve um assassinato em massa um ano antes. No pouco tempo em que permaneceram na casa, apenas 28 dias, testemunharam uma série de malignos eventos paranormais.

A história verdadeira: O livro de Jay Anson, publicado em setembro de 1977, relata as experiências que a família Lutz teve no local, na avenida Ocean 112, em Amityville, Long Island, Nova Iorque. Os relatos, que se deram por quatro semanas, incluíam vozes sinistras, alterações de temperatura, inversão de crucifixos e paredes que vertiam uma substância verde asquerosa. Em 1995, após realizarem longa investigação, Stephen e Roxanne Kaplan publicaram a obra The Amityville Horror Conspiracy, alegando que toda a história não passa de uma parceria entre a família e o autor para vender livros e criar polêmicas. Entretanto ainda existem relatos macabros sobre o local e sinistras coincidências, como a morte de Peter O’Neill, que morreu nos ataques ao World Trade Center, em 2001, e que morou no local entre 1987 e 1997 (que eu acho não ser nada que mera coincidência). Diversas fotos foram tiradas da casa utilizando-se câmeras especiais e uma delas traz um menino com olhar demoníaco (veja foto abaixo), que foi divulgada em 1979.

menino de Amityville

 

O Exorcista

O EXORCISTA (The Exorcist, 1973).

Direção: William Friedkin.

Sinopse: O filme conta a clássica história da possessão da menina Reagan MacNeil (Linda Blair), em Georgetown. Para resolver o problema dois padres são chamados para realizar um exorcismo, entre eles um velho inimigo do demônio Pazuzu, Lankester Merrin (Max von Sydow). Reagan foi livrada da possessão demoníaca, mas o problema foi resolvido?

A história verdadeira: O roteirista e autor do romance que inspirou o filme, William Peter Blatty, teve a ideia de escrever a história após ler um artigo na Universidade de Georgetown sobre um exorcismo realizado com um menino de 12 anos, Roland Doe, de Mount Rainier, Maryland, em 1949. Detalhes sobre a verdade dos fatos se tornaram públicas há alguns anos, após terem sido escondidos da mídia durante todo esse tempo. Depois de ocorrerem algumas manifestações estranhas na casa, como barulhos inexplicados e pratos que voavam das prateleiras, o garoto tentou entrar em contato com sua falecida tia através de uma Tábua Ouija. Roland começou a apresentar sintomas de possessão, falando bobagens e se auto-flagelando. Os pais decidiram então interná-lo em um hospital psiquiátrico em St. Louis até, enfim, decidirem realizar rituais de exorcismo. Os padres encarregados dos rituais foram William S. Bowdern e Walter Halloran, tendo sido necessárias trinta sessões de exorcismo até que finalmente o demônio deixou o corpo do menino.

Psycho

PSICOSE (Psycho, 1960).

Direção: Alfred Hitchcock.

Sinopse: Trata-se de uma produção de suspense sobre um psicótico assassino, Norman Bates, que obedece as ordens de sua falecida mãe, cujo corpo é mantido num local secreto em sua morada próximo ao hotel que gerencia. A partir dessa dupla personalidade, ele assassina aqueles que decidem se hospedar no hotel.

A história verdadeira: O filme surgiu de um livro escrito por Robert Bloch (cujos direitos autorais foram comprados anonimamente por Alfred Hitchcock por meros US$ 9 mil), que se inspirou na história de Edward Gein. Julgado em 1957 pela morte de uma jovem (embora acredite-se que ele tenha matado pelo menos duas mulheres), Ed passou o resto da vida em uma instituição mental. Edward foi criado pela mãe, Augusta, uma mulher religiosa e dominadora que desprezava o marido e acreditava que todas as mulheres (com exceção dela) eram prostitutas. Ed cresceu à sua sombra, sem sair da fazenda onde morava, apenas para ir à escola, ele se tornou um rapaz tímido e solitário. Quando sua mãe sofreu um derrame, Ed cuidou dela. Após a morte da mãe, ele começou a roubar corpos no cemitério, desmembrando-os, ele utilizava a pele para fazer máscaras e revestimento de cadeiras, ossos e crânios como enfeites, e partes do corpo como acessórios de roupa e utensílios da casa.

Ed se tornou referência na cultura popular, servindo de inspiração para a criação de Norman Bates, protagonista do filme.

a-hora-do-pesadelo-1984

A HORA DO PESADELO (A Nightmare on Elm Street, 1984).

Direção: Wes Craven.

Sinopse: A jovem Nancy (Heather Langenkamp) começa a ter pesadelos aterrorizantes, assim como seus amigos, que guardam par si tais experiências até que uma das garotas acaba sendo assassinada de forma brutal, durante o sono. Nancy decide procurar a polícia e fala sobre o bizarro maníaco que permeia seus pesadelos. Porém, seus relatos são ignorados pelos policiais. Sozinha e apavorada Nancy sabe que cedo ou tarde terá que enfrentar o assassino em seu próprio mundo sombrio e irreal: seus pesadelos.

A história verdadeira: Wes Craven se inspirou num artigo que leu no LA Times que informava sobre a morte de diversas pessoas enquanto dormiam. “Foi uma série de relatos sobre homens no Sul da Ásia que eram de famílias imigrantes e que morreram durante um pesadelo, sem que haja conexão entre eles”, disse Craven em uma entrevista concedida em 2008. Uma delas era sobre o filho de um físico, um rapaz de 21 anos, considerado um fenômeno em Laos, no Camboja. Todos da família diziam-lhe a mesma coisa: “Você deve dormir.”, então ele respondia “Não, você não entende. Sempre tive pesadelos, mas este é diferente.” O rapaz se recusava a dormir. Alguns dias se passaram, por volta de seis ou sete, até que finalmente ele acabou cochilando enquanto via televisão. Aliviados, seus familiares o carregaram para cama e foram dormir, certos de que o problema tinha sido resolvido. Porém, no meio da noite, eles foram acordados com gritos e um estranho barulho, oriundos do quarto do rapaz. Ao chegarem lá se depararam com o rapaz morto. Foi realizada uma autópsia, onde constatou-se que ele não tinha sido vítima de um ataque cardíaco, tendo morrido de causa desconhecida. A história intrigou a região por cerca de um ano.

Brinquedo Assassino

BRINQUEDO ASSASSINO (Child´s Play, 1988).

Direção: Tom Holland.

Sinopse: Um serial killer é morto em um tiroteio com a polícia, mas realiza um ritual vodu antes de morrer e transfere sua alma para um boneco. Esse boneco é dado como presente para um menino, que tenta alertar seus pais de que o boneco está vivo, mas sua mãe e um detetive da polícia só acreditam nele após o brinquedo ter feito várias vítimas. Porém, o interesse do maligno boneco se concentra no garoto, pois só no corpo dele poderá continuar vivo, e ele planeja transferir sua alma para o corpo da criança.

A história verdadeira: Originalmente o roteiro foi criado por Don Mancini como uma sátira sobre o marketing e publicidade dos brinquedos para crianças, mas a ideia acabou se desenvolvendo para um filme de horror. O conceito foi inspirado em uma vingança realizada por uma empregada jamaicana, em 1896, na cidade de Key West. Habilidosa em magia negra e vodu e insatisfeita com a família Otto ela entregou ao garoto Robert Eugene um boneco possuído por um espírito maligno. De acordo com os familiares, Eugene foi diversas vezes flagrado conversando com o brinquedo, que costumava aparecer em lugares estranhos e a ter movimentos misteriosos, além de que ouvia-se risadas do boneco e, em certas ocasiões, o vulto do brinquedo perambulando pela casa. Diversas vezes os pais do garoto foram acordados com gritos de desespero do menino, móveis derrubados e a presença macabra de Robert, o boneco, a quem era atribuída a bagunça. Depois que Eugene morreu, em 1974, o boneco ficou trancado no sótão por muitos anos, até ser encontrado pela menina da família, quando fatos inexplicáveis começaram a ocorrer. Mesmo hoje em dia, após quarenta anos, ela ainda afirma que o boneco quer matá-la. Atualmente Robert possui site e faz parte do Museu Martello, em Key West. Ele é destaque em passeios fantasmas, com sua roupa do início do século passado ao estilo marinheiro, segurando um leão (veja foto abaixo). Os funcionários do museu dizem que, ainda hoje, o boneco faz seus velhos, e sinistros, truques.

boneco Robert

 

O Massacre

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (Texas Chainsaw Massacre, 1974).

Direção: Tobe Hooper.

Sinopse: No Texas uma família canibal mata os desavisados com o intuito de utilizar a carne para se alimentar e vender. O destaque está na figura de Leatherface, que, como o nome diz, veste em seu rosto a pele de suas vítimas. Ao se aproximarem da região onde a sinistra família vive Sally (Marilyn Burns), seu irmão Franklin (Paul A. Partain) e seus amigos, têm que lutar para não serem as novas vítimas dos maníacos.

A história verdadeira: O autor da obra original de Psicose, Robert Bloch, baseou-se na história de Ed Gein (foto abaixo). Nascido em 27 de agosto de 1906 em La Crosse (EUA) no estado do Wisconsin, ele teve uma infância muito difícil devido à sua mãe extremamente protetora e religiosa e ao seu pai, um bêbado que era apenas suportado por sua mãe. Ed também sofria muito bullying no colégio, principalmente pelo fato de ser uma criança considerada muito afeminada. Seu pai morreu em 1940, sua mãe em 1945 e seu irmão morreu durante um incêndio, após ter desaparecido. Ed conduziu os policiais diretamente ao corpo do irmão e mais tarde descobriu-se a causa da sua morte: asfixia. 

Assim Ed ficou morando sozinho e seu interesse pela morte e ocultismo aumentava mais a cada dia.

Com a morte de Bernica Worden, em novembro de 1957, Ed foi considerado o principal suspeito e quando a policia chegou à sua propriedade descobriram o cadáver da mulher, que tinha sido decapitada e seu corpo suspenso e aberto como se fosse uma caça, com grandes partes do seu corpo removidos. Na propriedade também foram encontrados muitas outras partes de corpos, como crânios, pele, peitos, corações, pele de rostos, lábios e cabeças. Com essas partes removidas Ed fazia diversos utensílios, além de desenterrar cadáveres que pareciam com sua mãe para tentar simular a presença dela.

Surgiu s suspeita de ele ter tido relações sexuais com esses cadáveres, fato negado pelo maníaco, que também vestia-se de mulher tentando simular a presença de sua mãe. Isso é mostrado, também, na obra-prima de Alfred Hitchcock “Psicose” onde o personagem (também inspirado em Ed) comete alguns assassinatos enquanto simulava a presença de sua mãe (que na verdade era ele com roupa de mulher) e mantinha um cadáver em casa, na tentativa de sempre recriar a presença da mãe.

ed-gein

Evocando

EVOCANDO ESPÍRITOS (The Haunting in Connecticut, 2009).

Direção: Peter Cornwell.

Sinopse: Assim que um dos filhos do casal Campbell, Matt, é diagnosticado com câncer toda a família tem que mudar para uma casa mais próxima da clinica onde o garoto será tratado. Porém, conforme o tempo vai passando, o comportamento do rapaz muda radicalmente e todos passam a presenciar várias atividades paranormais na casa.

A história verdadeira: O filme foi inspirado em episódios estranhos ocorridos com a família Parker, que se mudou para Connecticut em 1986 para se aproximar dos especialistas no tratamento de seu filho, Paul, de 14 anos, diagnosticado com câncer. Mais tarde, no local onde o garoto dormia foram encontrados equipamentos de embalsamento, revelando assim que outrora a cada fora uma funerária (assim como no filme). A família relatou a ocorrência de fenômenos estranhos como vozes inexplicáveis, aparições e o surgimento de sangue no chão, até que um espírito se apossou do corpo de Paul, fazendo-o atacar a família. Foi quando solicitaram a realização de um exorcismo para expulsar as entidades da casa e do corpo do garoto. Após as sessões, com o fim dos fenômenos, o rapaz milagrosamente se curou da doença.

Evocando 2

EVOCANDO ESPÍRITOS 2 (The Haunting in Connecticut 2: Ghosts of Georgia, 2012).

Direção: Tom Elkins.

Sinopse: Ao encontrar uma nova casa para viver, no campo, afastada da cidade e bastante tranquila, um casal não contava que a filha caçula começaria a ter misteriosas visões de estranhas entidades. Porém o horror aumenta quando toda a família também começa a testemunhar apavorantes fenômenos ao redor da nova casa.

A história verdadeira: Os mistérios envolvendo a família Wyrick deram origem ao livro THE VEIL: HEIDI WYRICK’S STORY, escrito por Joyce Cathey, que testemunhou os acontecimentos na casa, em 1988. Na época, a menina, de apenas quatro anos, conversava com um amigo imaginário, o Sr. Gordy, que mais tarde descobriu-se como sendo um espírito. Meses depois, a menina viu na frente da sua casa um homem com o corpo coberto de sangue e bandages que se apresentou como Khan. Após várias investigações, a mãe não encontrou evidências da existência desse tal Khan, mas a menina começou a ser assombrada por uma figura sombria, um homem cujo rosto estava sempre escondido pela escuridão. Heidi começou a aparecer com marcas pelo rosto e foi assombrada por outras aparições durante muito tempo. Joyce afirma que mesmo depois de vinte anos do ocorrido Heidi ainda vê coisas estranhas, mas sem a mesma intensidade.

Tubarão

TUBARÃO (Jaws, 1975).

Direção: Steven Spielberg.

Sinopse: Um gigantesco tubarão branco aterroriza a comunidade da fictícia Ilha Amity, alimentando-se de nadadores, surfistas e pescadores por vários dias durante o verão.

A história verdadeira: O romance de Peter Benchley foi inspirado numa série de ataques de tubarão que aconteceu em New Jersey, em 1916. Durante doze dias, em julho, cinco pessoas foram atacadas, sendo que quatro morreram. O assassino é um grande tubarão branco, morto no dia 14 de julho daquele ano. De acordo com informações da época, em seu estômago foram encontrados restos de suas vítimas. Hoje em dia, muito se discute sobre o tubarão assassino da época não ser um tubarão branco (Carcharodon carcharias), mas sim um tubarão touro (Carcharodon taurus). A verdade é que após a sua morte não houve mais ataques na região. Outras fontes na internet apontam que a obra de Peter Benchley foi inspirada nos relatos do pescador Frank Mundus, que teria, em 1964, capturado um gigantesco tubarão. Há quem diga que as duas histórias serviram como inspiração para o filme.

O Iluminado

O ILUMINADO (The Shining, 1980).

Direção: Stanley Kubrick.

Sinopse: Durante o inverno o escritor Jack Torrance (Jack Nicholson) é contratado para trabalhar como zelador em um hotel no Colorado, enquanto este permanece fechado. Jack aproveita para escrever seu livro. Junto com o escritor vão sua esposa Wendy (Shelley Duvall) e seu filho Danny (Danny Lloyd). Porém, com o passar do tempo a família, isolada do resto do mundo, começa a presenciar fenômenos que fazem com que percam a sanidade até que seu desequilíbrio culmine em um trágico final. 

Ao contrário do que costumam mencionar as sinopses que se encontra por aí, acredito que os transtornos apresentados pelo protagonista e seus familiares não se devam ao isolamento (uma explicação muito simplista, ao meu ver), mas sim à real presença de entidades no antigo hotel. Se o problema fosse o isolamento, como explicar a última fotografia apresentada no filme, onde Jack aparece junto com outras pessoas, em uma festa? Isso não poderia ser mero fruto de alguma perturbação mental, ou poderia?

A história verdadeira: O filme foi baseado num romance de StephenKing, publicado em 1977. A inspiração para a criação da obra se deu quando King se hospedou no Hotel Stanley, Estes Park, Colorado, no ano de 1974. Durante várias décadas, o Hotel Stanley foi uma acomodação elegante, recebendo desde políticos (como Theodore Roosevelt) a músicos (como John Philip Sousa) até que, a certa altura fenômenos misteriosos começaram a ocorrer: luzes que acendiam e apagavam sozinhas, malas eram desfeitas misteriosamente e sons de crianças brincando, quando os corredores estavam vazios. Diz a lenda que King era o único hóspede (até 1982 não havia aquecimento no Stanley, fazendo dele um negócio sazonal durante as primeiras sete décadas), hospedado no Quarto 217. O escritor teve um pesadelo onde seu filho, na época com três anos, era perseguido pelos corredores, fazendo com que ele acordasse apavorado. Durante o tempo que levou para fumar um cigarro e acalmar os nervos, admirando as Rochosas pela janela no meio da noite, encontrou a inspiração para escrever “O Iluminado”, publicado em 1977.

Desde então, o Quarto 217 se tornou uma lenda. É o mais requisitado do hotel e celebridades como Johnny Depp e o Imperador do Japão já ficaram lá. Funcionários do hotel afirmam que há muita atividade paranormal no local, e o mais ativo é o espírito apelidado de Lucy.

Imaginar que todas essas histórias realmente aconteceram e não são simples obras de ficção chega a ser apavorante, concorda?

Mas não se desespere, ainda, semana que vem você poderá conferir os outros dez filmes da lista.

 

Arquivo do Horror, toda quarta-feira, às 20h, no BDI.

@oscarmendesf / Site oficial do autor

Mande e-mail para o colunista: oscarmendes@bastidoresdainformacao.com.br

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