Explosão deixa 300 mil desabrigados em Beirute

Foto: Hussein Malla/AP

A capital do Líbano está em estado de choque, um dia após a explosão que devastou a cidade.

“Quase metade de Beirute está destruída ou danificada”, disse o governador de Beirute, Marwan Abbud.

Enquanto equipes de resgate reviravam escombros em busca de corpos, os números da tragédia cresciam. Oficialmente, foram 137 mortos, mas ainda há dezenas de desaparecidos. Autoridades disseram que 5 mil pessoas ficaram feridas e 300 mil, desabrigadas.

“Dei uma volta por Beirute. Os prejuízos podem chegar a US$ 5 bilhões (R$ 26,6 bilhoes)”, disse Abbud.

Na região portuária, epicentro da tragédia, o panorama é apocalíptico: lixeiras retorcidas e carros incinerados. Com a ajuda de policiais, socorristas da Cruz Vermelha e bombeiros passaram a noite resgatando sobreviventes e cadáveres.

Hoje, as forças de segurança isolaram a região portuária. O acesso foi autorizado apenas para a Defesa Civil, ambulâncias e bombeiros.

“É uma catástrofe. Há corpos espalhados pelo chão”, disse um soldado perto do porto.

“Foi como uma bomba atômica”, contou Makruhie Yerganian, professor aposentado que vive há mais de 60 anos na região portuária.

O governo do Líbano decretou estado de emergência de duas semanas e abriu uma investigação para apontar os responsáveis.

“Não há palavras para descrever a catástrofe de ontem (terça-feira)”, disse o presidente libanês, Michel Aoun.

Autoridades colocaram todos os funcionários do porto de Beirute responsáveis pelo armazenamento e pela segurança em prisão domiciliar. A principal hipótese para a explosão é a negligência. Autoridades sabiam havia muito tempo dos riscos de estocar 2,7 mil toneladas de nitrato de amônio, material usado em bombas e fertilizantes, de maneira improvisada em um galpão no porto.

“É inadmissível que um carregamento de nitrato de amônio de 2,7 mil toneladas esteja há seis anos em um armazém sem medidas preventivas. Isso é inaceitável e não podemos permanecer em silêncio sobre o tema”, declarou o primeiro-ministro, Hassan Diab.

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