Estudo revela ligação de desmatamento na Amazônia com seca no país

Árvore solitária após desmatamento na Amazônia (Foto: Raphael Alves/AFP)
Árvore solitária após desmatamento na Amazônia (Foto: Raphael Alves/AFP)

Um estudo feito pelo pesquisador Antônio Nobre, do Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST), que é ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostra a relação da escassez de água no Brasil com o desmatamento desenfreado na Amazônia. A diminuição da quantidade de árvores no bioma impede o fluxo de umidade entre o Norte e o Sul do país, aponta o estudo.

Em entrevista ao G1, Nobre contou os motivos que levam o desmatamento a “secar” o país. “A estação seca está se estendendo por maior tempo nas regiões mais desmatadas e as nuvens de chuva dos rios aéreos não estão chegando, a partir da floresta ainda existente, em áreas que anteriormente chegavam. Esse efeito tem conexão direta com o desmatamento. As regiões mais desmatadas são a saída dos rios aéreos da Amazônia para o resto da América do Sul Meridional”, disse.

Os “rios aéreos” ou “rios voadores”, que o pesquisador se refere, são grandes nuvens de umidade, responsáveis pelas chuvas, que são transportadas pelos ventos desde a Amazônia até o Centro-Oeste, Sul e Sudeste brasileiros. Esses “rios” não estão conseguindo fazer o seu trajeto natural, causando a crise hídrica.

Situação tende a piorar

A única solução para este grave problema seria a redução do desmatamento até 0%, no entanto, a situação não apresenta melhoras. Um levantamento apresentado este mês pela organização Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) apontou aumento de 191% no desmate da floresta em agosto e setembro de 2014, em relação ao mesmo bimestre de 2013.

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