Desmistificando o MMA

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Ainda hoje há quem nem considere o MMA como sendo um esporte, mas sim pura violência e selvageria onde brutamontes tentam provar sua masculinidade arrebentando a cabeça uns dos outros, estendendo essa opinião também aos seus fãs. 

Se nem mesmo o futebol, que é o esporte mais popular do país, consegue agradar todo mundo o que dizer do MMA que só alcançou o grande público há alguns anos? 

Preconceito é, no sentido literal, um conceito ou opinião definidos antes de se tomar conhecimento de algo, e é exatamente o que acontece em relação às Artes Marciais Mistas. 

Não que todos sejam obrigados a se tornarem fãs da modalidade, mas seria coerente se as pessoas ao menos conhecessem o esporte para então terem uma opinião a respeito dele. 

Conhecer o MMA é um passo fundamental para que se possa ter debates embasados em verdades ao invés de discussões cunhadas em mero preconceito. 

Preconceito esse que fica evidente em declarações como as do Deputado Federal José Mentor (PT-SP). Veja o que ele disse: “No Brasil, rinhas de galo e canário são proibidas legalmente. Há cidades como São Paulo, por exemplo, que não permitem rodeios porque ferem e machucam animais. Mas lutar MMA que maltrata, fere, machuca, lesiona e sangra o ser humano, pode!” 

Ok, tal declaração foi feita há sete anos atrás, em 2009, mas ainda hoje existem muitas pessoas que possuem esse mesmo tipo de pensamento. 

Então vamos esclarecer as coisas: 

1 – em uma rinha não há nenhuma regra, até mesmo porque os animais envolvidos não possuem capacidade racional para seguir alguma. 

2 – lutadores de MMA dispõem de uma série de dispositivos de segurança e regulamentações que garantem sua integridade física, ao contrário das rinhas.  

3 – todos os que competem em torneios de MMA, sejam homens ou mulheres, são maiores de dezoito anos plenos de suas faculdades mentais e que decidem de forma consciente jogar dentro das regras dos torneios. 

4 – quem decide competir em eventos de Artes Marciais Mistas assim o faz por acreditar possuir conhecimento marcial para isso, além do aval de um mestre ou instrutor e uma equipe por trás, ninguém o faz de “alegre”. 

“Vejo lutadores saírem do tal octógono com perna quebrada, cara rasgada, banhados em sangue, isso não é esporte!”, rebaterão alguns. 

A prática profissional de qualquer esporte pode trazer lesões ao corpo, esse não é um privilégio do MMA. Sem contar que os “atletas de fim de semana” também estão sujeitos a lesões. 

Vejamos como exemplo o já citado futebol que “movimenta as massas”: quantos casos já não vimos de jogadores se lesionando gravemente (lembram do Neymar na Copa?) ou até mesmo morrerem em campo (caso recente do belga Gregory Mertens), será que só o MMA traz riscos aos seus praticantes? 

Como disse o lutador brasileiro Vitor Belfort: “O que eu faço não é violento porque tem regra. Pode ser agressivo. Mas é agressivo você pilotar um carro a 300 quilômetros por hora ou andar em cima de uma bicicleta a 100. O futebol é mais violento que o MMA. O futebol americano, o hóquei, o rugby, o ciclismo, todos esses são mais violentos. Se você procurar a definição de violência no dicionário, vai ver que é algo como ‘empregar força física contra alguém ou intimidar moralmente com crueldade’. Violência é um ato infringido contra o outro sem regra”.  

Mas até que ponto expor crianças e adolescentes, e até mesmo adultos, às cenas “agressivas” do MMA pode interferir negativamente em seu caráter ou na sua formação? 

Ainda que o MMA seja agressivo ele não é pior do que muitas cenas às quais as pessoas estão expostas diariamente na televisão, no cinema, nos videogames ou nas ruas. 

“As lutas são iguais às arenas romanas onde guerreiros se matavam como forma de entretenimento do povo, isso é coisa de gente atrasada, rude, troglodita”. 

Sim, mas os romanos também bebiam vinho, comiam pão, uvas e queijo, então por ainda termos esses mesmos hábitos somos tão atrasados quanto eles? 

Tudo bem, você não precisa gostar de MMA, não quero que você pague R$ 500,00 para assistir à um evento da modalidade e nem comece a ir na academia treinar, mas ao menos conheça o esporte para ter uma opinião realmente válida, ao invés dessa que muitos ainda insistem em ter, embasada em puro preconceito e ignorância. 

Dizer que MMA é coisa de troglodita é o mesmo que dizer que ballet é coisa de gay.  

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