Autor de “Democracia Sem Vergonha”, James Akel fala sobre expectativas da peça

James em sua passagem pelo "Manha Maior" / Foto: Divulgação RedeTV!
James em sua passagem pelo “Manha Maior” / Foto: Divulgação RedeTV!

James Akel, 62 anos, jornalista, produtor, comentarista político e escritor brasileiro, inclusive do Bastidores da Informação, entretanto o ex-apresentador com passagens por Globo, Record, RedeTV! e SBT deixou de lado sua carreira no teatro, carreira esta que retomou em 2014, com o lançamento da peça “República das Calcinhas”. Um ano depois, James retorna aos palcos com “Democracia Sem Vergonha”.

A comédia, escrita e dirigida por Akel, mostra, de forma bem humorada, os bastidores da política nacional, usando porém como sede, o fictício país República da Mandioca, localizado entre a Argentina e o Uruguai, com um governo tipicamente brasileiro.

Durante todo o espetáculo, o presidente comete atos de corrupção. Depois da descoberta, sua própria sobrinha tenta aplicar um golpe para que seu amante assuma o poder.

Conversamos com o autor da história, confira.

A nova ministra faz seu pronunciamento de posse / Foto: Isabella Coco - BDI
Cena de República das Calcinhas, peça anterior de James/ Foto: Isabella Coco – BDI

Qual a diferença entre República das Calcinhas e Democracia sem Vergonha?

A estrutura política é igual, dois personagens continuam, mas desta vez o mote da peça é um golpe de estado que a sobrinha do presidente tenta dar no tio. Procurei mostrar o golpe de estado sendo um ato existente de qualquer governo latino americano. Outra coisa nesta peça é a atualidade em ligação direta com o Brasil.Desta vez a trama se passa na República da Mandioca (na peça anterior o país se chamava República dos Bananais).Então o presidente da República da Mandioca acaba de voltar do Brasil.

Você vai saudar a mandioca também ou é só uma piada com a nossa presidente, James?

Tem muita narrativa de envolvimento do presidente da RM (República da Mandioca) com a corrupção no Brasil. Existe um discurso que uma personagem vai fazer que é uma homenagem e similaridade à Presidente Dilma. As citações sobre Dilma, Lula, empreiteiros e outras coisas é uma constante na peça.
E o fato de não ter uma pessoa famosa como foi a Andressa Urach, que participou de República das Calcinhas, ajuda ou atrapalha?

Pra gente ter hoje em dia um grande nome, acaba ficando inviável porque não tenho patrocinador. Todos os custos são do meu bolso.  Se eu tivesse que contratar alguém de nome que fosse garantia de bilheteria, esta atriz iria preferir se autoproduzir do que trabalhar pra mim.
Como você lida com a ideia de possíveis criticas da plateia? já que é uma peça política…

 

Críticas existem e sempre vão existir. O Teatro Ruth Escobar tem uma história antiga estranha. Em 68 a peça Roda Viva de Chico Buarque foi feita lá num protesto ao Regime Militar, e ao final da peça tinha uma cena em que Marília Pera aparece nua. Numa certa noite, um grupo de extremistas de direita subiu ao palco pra agredir Marilia Pera que saiu correndo do palco nua em direção à rua. Espero que não apareçam desta vez grupos comunistas do MST, mas se aparecerem a gente providenciou segurança contra eles

Você está atuando novamente. Como está sendo? E o relacionamento com as meninas?

 

o relacionamento é bom, mas é difícil quando você trabalha com um grupo de certa inteligência e que por ter esta inteligência costuma questionar tudo, e as vezes não concordar com algumas posturas do diretor que sou eu e do autor, que sou eu. Algumas vezes quando vejo que as meninas falaram algo interessante eu até mudei texto ou marcação.
É uma peça que ironiza, brinca ou conscientiza?

A peça ironiza e jamais brinca, porque tudo que aparece ali é real, mas desta vez faço um editorial ao final da peça, mostrando a realidade da democracia e ditaduras no Brasil desde Getúlio Vargas. Um dos detalhes que pesquisei foi que durante apenas 7 anos da Ditadura Vargas, foram assassinados dentro das prisões de torturas, bem mais presos políticos que em todos os 21 anos de Regime Militar, e os torturadores de Vargas torturavam, matavam e jogavam do terceiro andar de um prédio do Rio de Janeiro, e diziam que o preso se suicidou. Não vamos esquecer que Lula sempre se comparou a Vargas.

A gente vive uma ditadura hoje ou uma democracia sem vergonha mesmo?

Sem dúvida é uma democracia sem vergonha. Depois do Regime Militar, todos os presidentes civis precisaram “seduzir” os congressistas pra ter base parlamentar.

Quem quiser assistir, todo sábado de outubro, às 19h30 no Ruth Escobar, certo? 

Sim. Eu fiz uma promoção no programa do Alexandre Frota. Quem for na bilheteria e disser que é amigo do Alexandre Frota, paga 10 reais.

Obrigado, James! 

peça james akel

Teatro Ruth Escobar
Rua dos Ingleses, 209 Morro dos Ingleses – Centro –
(011) 3289-2358
teatroruthescobar.com.br

– Valet (R$ 25). Ingresso: R$ 60.
– 370 lugares
– Acesso para deficiente
– Wi-fi

De 03/10/2015 até 31/10/2015

Forma de pagamento Cartões de crédito:
Diners, Elo, MasterCard, Visa

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