Cultura perde 80 mil empregos em 2021

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Após ensaiar uma breve recuperação no último semestre de 2020, a economia criativa voltou a fechar vagas neste ano. Segundo o Painel de Dados do Observatório Itaú Cultural, divulgado nesta semana, o setor já perdeu 80,4 mil postos de trabalho somente em 2021. Desde o início da pandemia, a área encolheu 5% se comparado ao período pré-Covid-19, resultando no encerramento de 244 mil vagas.

A maior baixa ocorreu no segundo trimestre de 2020, logo depois do fechamento da economia para conter a disseminação do coronavírus, quando 8% das vagas, o equivalente a 577 mil postos de trabalho, foram perdidas. Os dados de 2021 mostram queda de 1%, quando se compara com outubro, novembro e dezembro de 2020, no número de empregos na economia criativa.

O segmento engloba o mercado criativo (artesanato, artes cênicas, artes visuais, cinema, música, fotografia, rádio, TV e museus e patrimônio); de apoio, cujas ocupações não são consideradas criativas (contadores, advogados etc.), que prestam serviços ao setor cultural; e incorporados, ou seja, trabalhadores criativos que atuam em outros setores da economia (publicidade, arquitetura, moda, design, produção editorial etc.). A maior queda ocorreu entre os trabalhadores especializados, cujos postos de trabalho foram reduzidos em 27%, informa o Metrópoles.

A retração apontada pelo Observatório ocorre após a economia criativa ter registrado alta nos indicadores nos dois últimos trimestres do ano passado. Na análise de Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural, o crescimento não foi mantido por causa do ritmo lento com que o país está vacinando a população contra o novo coronavírus.

“A indústria criativa foi impedida de seguir em retomada, o que resultou na queda de empregos, causando um revés na recuperação verificada nos dois últimos trimestres do ano passado”, pontua.

Eventos como o Carnaval e as festas de São João, no Nordeste, não puderam ser realizados por causa do aumento do número de casos de Covid-19 no Brasil ao longo de 2021.

Jader Rosa, gerente do Observatório Itaú Cultural, acredita que o cenário negativo ainda deve se manter por mais alguns meses.

“O setor foi o primeiro a parar e provavelmente será o último a voltar por completo, portanto, essa crise é de cauda longa. No entanto, com a superação da pandemia, o segmento cultural, de turismo e outros, que também juntam e acolhem pessoas, terão uma forte retomada”, afirma

Mesmo com a promessa dos governantes de vacinar toda a população adulta neste ano, Maione não é otimista sobre a volta de festas em 2021.

“O mundo mudou e acho que as pessoas vão demorar para querer frequentar grandes aglomerações. Shows como a gente conhecia, só em 2022”, conclui.

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