Controle da sífilis depende de simples medidas de prevenção

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As Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) configuram-se como um dos principais problemas de saúde pública no Brasil e em todo o mundo. Dentre essas enfermidades, a sífilis, causada pela bactéria Treponema pallidum, pode causar vários danos severos ao ser humano. 

A doença não tem uma faixa etária específica de ocorrência e nem escolaridade e níveis sociais determinados, ou seja, não há um público restrito de contágio. Feridas, manchas vermelhas, perda da visão e problemas neurológicos são alguns dos vários sinais e sintomas da doença, como explica Ivelise Giarolla, médica infectologista do Centro de Referência em DST/AIDS da Secretaria de São Paulo e do Hospital de Transplantes Euriclydes de Jesus Zerbini. “A sífilis, quando tratada adequadamente, tem cura, mas é importante conhecer a doença e seus estágios, sendo que os maiores sintomas ocorrem nas duas primeiras fases, período em que a doença é mais contagiosa”. 

Giarolla orienta que todas as pessoas sexualmente ativas devem realizar o teste para diagnóstico, principalmente as gestantes, pois a sífilis congênita pode causar aborto, má formação do feto e até mesmo a morte ao nascer. 

 SÍFILIS CONGÊNITA 

A sífilis congênita é a infecção transmitida via transplacentária da mãe para o bebê. A transmissão pode causar aborto e parto prematuro ou ainda, ao nascer, o bebê pode apresentar anormalidades como surdez, cegueira, problemas ósseos e neurológicos. 

Tamanha gravidade fez com que o Ministério da Saúde organizasse anualmente uma Campanha de Combate à Sífilis Congênita (www.saude.gov.br/sifilis). O Brasil, aliás, tem o desafio de eliminar este tipo da doença até 2015, como indica a Organização Mundial da Saúde. 

TRANSMISSÃO E DIAGNÓSTICO 

A sífilis pode ser transmitida de uma pessoa para outra durante relação sexual (inclusive através do sexo oral) sem o uso de preservativo, por transfusão de sangue contaminado ou através da mãe infectada para o bebê. 

O diagnóstico laboratorial da sífilis é baseado em exames sorológicos e de microscopia para identificação do agente causador, o Treponema pallidum.  

PREVENÇÃO E TRATAMENTO 

O uso de preservativos em todas as relações sexuais e o correto acompanhamento durante a gravidez são os meios mais simples, confiáveis e baratos de se prevenir. 

No caso de infecção, o tratamento costuma ser feito com a administração de penicilina injetável, acompanhamento de exames laboratoriais e tratamento do parceiro sexual. 

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OS ESTÁGIOS DA SÍFILIS  

Estágio 1: pequenas feridas nos órgãos sexuais e caroços nas virilhas (ínguas), que surgem entre 7 e 20 dias após o sexo desprotegido com alguém infectado. A ferida e as ínguas não doem, não coçam, não ardem e não apresentam pus. Elas desaparecem espontaneamente, mesmo sem tratamento, e não deixam cicatriz, mas a pessoa continua infectada e a doença se desenvolve. 

Estágio 2: podem surgir manchas em várias partes do corpo, inclusive nas palmas das mãos, pés e mucosa da boca. Outros sintomas também são comuns, como gânglios espalhados pelo corpo, dor de cabeça, febre, mal-estar, falta de apetite e queda dos cabelos. Após algum tempo, que varia de pessoa para pessoa, as manchas também desaparecem, dando a ideia de melhora. 

A doença pode ficar estacionada por meses ou anos, até o momento em que surgem complicações graves. 

Estágio 3: no último estágio, sem o devido tratamento, surge cegueira, paralisia, doença cerebral, problemas cardíacos e nos ossos, podendo, inclusive, levar à morte.  

Para mais informações, acesse: 

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_sifilis_bolso.pdf

http://www.saude.sp.gov.br/ses/centro-de-referencia-e-treinamentocrtdst-aids/

Fonte consultada:  

Dra. Ivelise Giarolla, médica infectologista do Centro de Referência em DST/AIDS da Secretaria de São Paulo e do Hospital de Transplantes Euriclydes de Jesus Zerbini. É também colunista da Revista Pais e Filhos. 

fragmentos da vida

 Quando eu conheci meu namorado, era só amor e alegria. Por muitas vezes, tive relação íntima sem preservativo e sempre confiei nele. Grande foi o meu susto quando engravidei!  Nos exames de rotina, descobri que eu tinha sífilis. Mas, como? 

Questionei ao meu namorado, pois só ele poderia ter passado aquela doença. Ele se sentiu ofendido, mas mesmo assim fez o exame. Deu positivo e já avançado.  A médica da UBS percebeu manchas vermelhas em várias partes do corpo dele, principalmente nas palmas das mãos. Ele até disse que aquelas manchas seriam alguma alergia, pois sempre desapareciam.  

Contudo, o que me deixou triste foi ver a negação dele já no nível 2 da doença. Combinamos em nos tratarmos. É muito importante o tratamento no período da gravidez. Morro de medo de injeção, mas pelo meu filho e por mim, até encaro umas picadas. Li muito sobre essa doença e me bateu medo quando vi que meu bebê pode ter grandes problemas pelo o resto da vida, por exemplo, a cegueira. A médica explicou que devo tratar o mais rápido possível para que nada aconteça com a criança. 

Fiz o tratamento rigorosamente, tomei todas as doses, mas meu namorado não foi tão fiel. As machas voltaram, começou a ter febre, emagreceu muito. Ter relação com ele, só de camisinha. E isso desgastou o relacionamento. Ele não queria usar o preservativo, se sentia ofendido. A doença nos separou. 

Minha filha nasceu linda e saudável, porém o pai não estava lá. Internado, quase sem enxergar, apenas conseguiu ver a silhueta da pequena filha… seus movimentos eram lentos e tinha um olhar tristonho. Com fala pausada, pediu- me desculpa por sua ignorância. 

Passaram os anos e vi que aquela atitude que tomei foi cheia de amor e sabedoria. Hoje, minha filha já é adolescente, o pai faleceu há alguns anos. Passo para ela a importância de conhecer doenças que pode mudar a vida, não só de uma, mas de várias pessoas. O amor começa de dentro da gente. 

                                                                                                       Voltamos no mês que vem com “Viva + Saúde”, no BDI.

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