Conheça uma horta comunitária

Cultivo de alimentos na cidade é saída para pequenos espaços carentes de verde

cuidar do verde

Canteiros, varandas, ou até mesmo marquises, podem servir de abrigo para diversos temperos, pequenos legumes ou ervas aromáticas, certo? Agora, Imagine iniciar uma horta em uma praça, ao alcance de todos? Foi exatamente essa iniciativa que as jornalistas Cláudia Visoni e Tatiane Achcar tiveram ao criar a Horta das Corujas, localizada na Vila Beatriz, zona oeste da Capital.

Foto: Samara Tenório

Foto: Samara Tenório

Famosa por sua variedade de ervas, legumes e verduras, o local já virou o queridinho dos cultivadores e moradores locais, que afirmam terem obtido uma verdadeira reeducação ambiental e uma melhora na qualidade de vida, ao dedicarem um tempo para cuidar da área verde que no mês passado completou três anos de existência.

De acordo com Cláudia, apesar do sucesso entre os moradores e frequentadores locais, o pior desafio encarado por lá são os furtos de mudas. “A gente cuida dois ou três meses de uma muda e algumas pessoas frequentam a horta só para roubá-las. São poucas pessoas, a maioria vem para ajudar, mas isso atrapalha muito”, conta.

Para manter tudo sob controle e evitar esse e outros problemas no espaço público, algumas regras de boa convivência foram instauradas, como a proibição de cães no local, proibição de roubos de mudas e ferramentas e o plantio apenas de hortaliças, pois para árvores é necessária uma autorização da prefeitura.

Foto: Samara Tenório

Foto: Samara Tenório

Quando não dedica seu tempo em benefício das hortaliças, Visoni dá continuidade ao trabalho por meio de seu grupo no Facebook conhecido como Hortelões Urbanos. A comunidade que reúne mais de 25 mil pessoas apaixonadas por agricultura urbana proporciona entre os integrantes, a troca diária de dicas e experiências sobre cultivo e manutenção de plantas e verduras em pequenos espaços.

O movimento das hortas comunitárias e da agroecologia tem alcançado também creches, escolas e diversas instituições de ensino, com o intuito de despertar desde cedo nos alunos o senso de responsabilidade ambiental, nutricional e permitir a integração entre os colegas durante o cultivo.

Segundo Edna Soares Pompeu, que trabalha como orientadora no CCA (Centro para Crianças e Adolescentes), criar uma horta no seu local de trabalho foi uma oportunidade de despertar nas crianças o senso de cuidar do meio ambiente. “Cultivamos as plantas em pneus e garrafas PET. Além da economia, é um prazer também comer daquilo que nós plantamos e ver a dedicação das crianças com as plantas”, comenta.

Foto: Samara Tenório

Foto: Samara Tenório

Dados do Centro de Pesquisa de Agricultura Urbana e Segurança Alimentar, do segundo semestre de 2013, confirmam o sucesso entre as mais diversas agriculturas urbanas em São Paulo: Além de contribuir com o desenvolvimento da biodiversidade, essas práticas de fato são atividades promotoras da saúde, uma vez que geram o fortalecimento da segurança alimentar e servem como terapia ocupacional para diversos pacientes.

O sonho de Cláudia e de tantos outros “hortelões” espalhados em São Paulo é ver a cidade se transformar numa grande horta. Mais do que modificar o solo, é necessário modificar o modo como o ser humano interage com a paisagem urbana.

Cuidar do Verde, toda quarta-feira, às 13h, no BDI.

Mande seu e-mail para a colunista : samaratenorio@bastidoresdainformacao.com.br