Conheça os trabalhos do chargista Angeli

Itaú Cultural - Ocupação Angeli. Data: 15/03/2012. Foto: Rubens Chiri/Perspectiva

Angeli Foto: Rubens Chiri/Perspectiva

Quem nasceu antes da década de 80 ou pelo menos já sabia ler nessa época e se interessava por um estilo de quadrinhos fora do convencional, mais underground, certamente conhece Arnaldo Angeli Filho, mais conhecido como Angeli.

Mas não se engane, seus quadrinhos em nada se assemelhavam aos que faziam sucesso na época, como Pato Donald, Mônica, Superman e similares.

Angeli foi o criador da revista “Chiclete com Banana”, lançada pela Circo Editorial em 1983, que se destinava ao público adulto e ainda hoje é considerada uma das mais importantes já editadas no Brasil dentro do gênero.

Inicialmente a revista teve uma tiragem de apenas 20.000 exemplares, mas chegou a atingir a marca de 110.000 no ápice do sucesso e contava com a colaboração de nomes como Roberto Paiva, Laerte Coutinho, Luiz Gê, Glauco Mattoso e Laerte Coutinho.

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Mas a carreira de Angeli vai além da “Chiclete”.

Começou a trabalhar aos catorze anos na revista “Senhor” e em 1973 foi contratado pela Folha de São Paulo, onde está até hoje, entretanto sua estreia nos quadrinhos só aconteceu em 1975, quando um trabalho seu foi publicado na edição de n° 8 do gibi “Balão”.

Trabalhou na Rede Globo como redator do programa infantil TV Colosso (1993-1996), um contraponto ao gênero adulto que o consagrou, e entre 1995 e 2005 fez alguns daqueles desenhos de 5 segundos que eram exibidos nos intervalos dos filmes, ainda na emissora global.

Em 2006, Angeli produziu e lançou um longa de animação chamado Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Roll, com o diretor Otto Guerra.

Angeli é um dos poucos chargistas brasileiros que conseguiu o reconhecimento internacional, tendo suas tiras publicadas na Alemanha, Itália, Argentina, França e Espanha, mas foi no mercado português que ele obteve mais destaque, tendo uma compilação de seu trabalho lançada pela editora Devir, em 2000, ano em que também viu a estreia de uma série de animação com seus personagens numa coprodução da TV Cultura com a produtora portuguesa Animanostra.

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Os Skrotinhos em ação.

Porém, seu trabalho que marcou época definitivamente foi a revista “Chiclete com Banana” onde apresentou ao mundo personagens como o esquerdista anacrônico Meia Oito e Nanico, o seu parceiro homossexual enrustido, Luke e Tantra, as adolescentes que só pensam em perder a virgindade, Rê Bordosa, conhecida como a junkie mais “porralouca” da década de 80, os Skrotinhos, a versão underground dos Sobrinhos do Capitão; as Skrotinhas, a versão feminina dos Skrotinhos, Wood & Stock, dois hippies já na melhor idade cujos neurônios se perderam na década de 60, Mara Tara, uma garota normal que em momentos de “tensão” se transforma na ninfomaníaca mais pervertida dos quadrinhos, Bob Cuspe, o anárquico punk que tem como arma cuspir em seus desafetos, Rhalah Rikota, o guru espiritual comedor de discípulas (mais atual, impossível), Edi Campana, um voyeur e fetichista de plantão à procura do melhor ângulo feminino, entre inúmeros outros personagens como Benevides Paixão, Rampal, Bibelô, Walter Ego, Osgarmo, Rigapov, Hippo-Glós, Vudu e os “xicanos” Los Três Amigos (onde um dos “amigos” era Angel, uma caricatura do próprio criador).

Sim, Angeli não deixou escapar nem ele mesmo em suas sátiras e prosseguiu com suas menções autobiográficas ao criar as tiras “Angeli em Crise”.

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Wood & Stock.

Embora “Chiclete com Banana” tenha feito sucesso durante a década de 80 as críticas que ela fazia em relação à política e até mesmo ao comportamento são atemporais, podendo ser aplicadas aos dias de hoje, o que demonstra que em 30 anos pouca coisa mudou.

Hoje com 59 anos, Angeli ele é um dos mais conhecidos chargistas brasileiros.

Ficou curioso sobre a saudosa revista “Chiclete com Banana”?

Há uma página no Facebook sobre a ela, visite https://www.facebook.com/revistachicletecombanana

@oscarmendesf / Site oficial do autor

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