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Conheça o local mais assombrado do mundo, o sanatório de Waverly Hills

Depois do mistério de Roanoke

arquivo do horror

Entre inúmeros lugares assombrados ao redor do mundo o Sanatório de Waverly Hills foi um que me chamou muito a atenção, tanto que eu escrevi um livro tendo ele como palco: Waverly Hills – A Morada do Mal. 

Mas por que o sanatório?  

morada 1

Conheça a história do lugar e, no final, diga se concorda ou não com a minha escolha. 

O hoje desativado Sanatório de Waverly Hills inicialmente serviu de moradia para o Major Thomas H. Hays, que adquiriu o terreno localizado no Estado do Kentucky (EUA) em 1883.  

Precisando de uma escola para suas filhas Hills mandou construir em sua residência um quarto com tal finalidade e contratou como professora Lizzie Lee Harris.  

Apaixonada por romances de Walter Scott, a professora batizou a “casa-escola” de Waverley School, e mais tarde o Major, simpatizando com o tranquilo nome batizou a propriedade como Waverly Hill.  

Waverly Hills

Anos mais tarde uma epidemia de tuberculose passou a assolar o país e, por ser afastado da cidade, a propriedade acabou sendo vendida para dar lugar a um hospital dedicado ao tratamento dos pacientes da terrível pestilência.  

Na época os locais escolhidos para a construção desses hospitais ficavam em terrenos elevados e rodeados de tranquilas matas, tanto como uma forma de auxiliar na recuperação dos pacientes através de uma atmosfera tranquila e serena como para evitar que a doença se disseminasse para habitações próximas.   

Temos um exemplo como esse na cidade de São Paulo, no caso a avenida Dr. Arnaldo, que por ficar no cume do planalto da região abriga não somente o complexo do Hospital das Clínicas, mas dois cemitérios.  

Voltando a Waverly Hills…  

A residência do Major Hills, por atender plenamente aos requisitos solicitados pelas autoridades de saúde, cedeu lugar, em 1908, à construção do Sanatório de Waverly Hills (então um edifício de apenas dois andares), com sua inauguração ocorrendo no dia 26 de julho de 1910.  

Na época o sanatório era considerado um dos mais modernos e bem equipados no combate à tuberculose.  

Apesar de ter sido construído para abrigar cinquenta doentes, com o agravamento da epidemia, acabou ficando super lotado e o triplo de doentes acabavam sendo internados no local, excedendo a lotação apropriada.   

Conhece-se o sofrimento daqueles que padecem de tuberculose e em virtude dela estima-se que cerca de sessenta e três mil pessoas perderam a vida no sanatório, sendo que muitas vidas foram perdidas não somente devido à doença, mas também por causa do suicídio tanto de pacientes quanto de profissionais que ali atuavam. A “Peste Branca” crescia e a capacidade do hospital teve de ser aumentada para que pudessem ser tratadas cerca de quinhentas pessoas. 

A ampliação se iniciou em março de 1924 e a reinauguração ocorreu no dia 17 de outubro de 1926, quando então o sanatório passou a oferecer, nos andares recém-construídos, amplas janelas para amenizar os sofrimentos causados pela doença.  

Devido ao alto risco de contágio os profissionais que ali trabalhavam receberam residências nos fundos do terreno, de forma a se manterem o mais afastado quanto fosse possível da cidade.  

Ainda em 1926 um túnel foi construído para que esses funcionários chegassem até suas moradias, abrigados das intempéries. Porém, com o absurdo aumento da epidemia, a taxa de mortalidade chegou ao patamar de cerca de três pacientes ao dia, e o mesmo passou a ser utilizado para transportar os corpos para fora do sanatório. Essa foi a forma encontrada para minimizar o contato dos mortos com os que ainda sobreviviam: pacientes e seus familiares.  

Muito se especula acerca do que ocorria no local, mas a tuberculose muitas vezes causava insanidade mental e os pacientes vitimados por esse transtorno eram alojados no quinto andar do edifício, que possui duas alas e se localiza no centro do hospital. Diz-se, também, que inúmeras experiências não documentadas foram realizadas na vã tentativa de encontrar uma cura para a “Peste Branca” (até mesmo a aplicação de choques elétricos) e que, embora houvesse evidências comprovando essas teorias, elas nunca foram apuradas, provavelmente pelo descaso das autoridades.  

Documentados, sabe-se que procedimentos como a toracoplastia (no qual algumas costelas são removidas para facilitar a expansão dos pulmões) e o pneumotórax (onde desinflam-se os pulmões) foram realizados nos internos.  

Como a demanda por anestésicos era elevada (até mesmo porque na época os mesmos não eram tão eficazes como hoje) é possível que muitos pacientes tenham passado por esses procedimentos sem o uso de anestesia.  

Hoje estima-se que a taxa de sobrevivência a essas técnicas era de cerca de somente 4%.  

Entrada do “Death Tunnel”

Entrada do “Death Tunnel”

Entrada do “Death Tunnel” : 

Com a descoberta da cura para a doença, em 1961, o sanatório acabou sendo desativado, para ser reaberto no ano seguinte com o nome de Woodhaven Medical Services, agora, um centro geriátrico. O mesmo funcionou até 1980, quando foi fechado pelo Estado devido à constatação de que eram praticados abusos contra os idosos, muitos deles com problemas mentais. Logo, o sanatório foi comprado com o objetivo de ser transformado em uma prisão, mas devido aos protestos dos moradores da região a ideia acabou não saindo do papel, sendo ele, então em 2001, adquirido por Joe Mattingly, que passou a cobrar pela entrada ao local daqueles que almejam contato com fenômenos que, dizem, ocorrerem ali.  

Constantemente, espíritos são flagrados vagando pelo local

Constantemente, espíritos são flagrados vagando pelo local

Histórias sinistras passaram então a surgir. De acordo com relatos dos visitantes presencia-se luzes nas janelas e o som de passos, murmúrios, prantos e portas batendo, misteriosamente em quartos vazios. Tais histórias atraíram a visita de diversos grupos que se dedicam ao estudo e à investigação de fenômenos paranormais, como o Louisville Hunter Ghost Institute, que visitou o local algumas vezes, e em todas elas puderam presenciar fatos inexplicáveis.  

Todas as lendas acerca de Waverly Hills fazem com que ele receba o título de “local mais assombrado das Américas”, fazendo do local objeto de curiosidade e medo.  

Alguns depoimentos parecem tornar seu título merecido. 

Uma enfermeira do asilo, presa em 1984 acusada de torturar pacientes, afirma que realizava tais práticas incitada por vozes que a ordenavam a fazê-lo. 

Uma das lendas afirma que em 1928 a enfermeira-chefe do quinto andar, Mary Hillenburg, foi encontrada morta na sala 502, enforcada em uma luminária, vítima de suicídio. Solteira e grávida, aos 29 anos, pôs fim à própria vida, embora muitos acreditem que ela estaria esperando o filho de um médico do sanatório e que este a matou temendo que sua carreira fosse posta em risco. 

Um vigia que trabalhou no local durante alguns meses disse que ao fazer rondas pelo asilo ele se sentia triste, com propensões de atirar-se por uma das grandes janelas e que somente pensamentos terríveis permeavam sua mente. 

Atormentado, demitiu-se e dentro de pouco tempo sua vida voltou ao normal. 

Curioso ressaltar que ocorreram diversos suicídios, principalmente de funcionários do sanatório, exatamente dessa maneira: atirando-se pelas janelas. 

Em 1932 uma enfermeira que trabalhava na sala 502 (a mesma em que Mary foi encontrada enforcada) se atirou de uma das janelas do quinto andar, desconhecendo-se o motivo, mas houveram outros casos, menos notórios. 

Há a lenda do garoto chamado Timmy, que aos dez anos faleceu vitimado pela tuberculose, e que ainda hoje nutre seu gosto pelas brincadeiras com bolas dentro do complexo hospitalar. 

Diz-se ainda que um vulto usando um jaleco branco, o espírito do médico cirurgião Joseph Cottons, perambula pelo quarto andar do sanatório. Nesse andar se encontra a sala cirúrgica onde ele executava seus procedimentos médicos dolorosos e, até mesmo, suas experiências desumanas. 

Testemunhas relatam, inclusive, que sem explicação alguma, no corredor do refeitório, por vezes é possível sentir cheiro de panquecas e pão. 

O sanatório até mesmo atraiu a atenção de uma produtora de cinema, e em 2005 foi lançado o filme “O Túnel da Morte”, filmado nas dependências do antigo complexo hospitalar, abordando em seu enredo algumas das lendas existentes sobre o lugar. 

Vale lembrar, também, o fato de um dos episódios da famosa série “Supernatural” também ter sido filmado nas dependências do antigo sanatório. 

Seriam as ocorrências relatadas em Waverly Hills realmente verídicas ou não passam de apenas mais uma entre tantas lendas urbanas ou apenas mais uma história criada apenas para atrair turistas? 

Talvez só indo até lá seja possível descobrir, ou nem mesmo assim… 

Na próxima semana…

bruxa queimada

O assunto “bruxaria” já foi abordado inúmeras vezes tanto na literatura quanto no cinema, mas sempre focando acontecimentos ocorridos na Europa ou nos Estados Unidos.

O que pouca gente sabe é que queimar pessoas na fogueira sob a acusação de “bruxaria” também foi uma prática que ocorreu aqui no Brasil. Vamos conhecer esse histórico?

Novidade:

Apresento a vocês a terceira chamada da nossa WebTV. O vídeo, neste caso, é focado em terror. Vamos mostrar o que é fato e o que é mito, especialmente em locais macabros da cidade de São Paulo.

Arquivo do Horror, toda quarta-feira, às 20h, no BDI.

@oscarmendesf / Site oficial do autor

Mande e-mail para o colunista: oscarmendes@bastidoresdainformacao.com.br