Caça-Fantasmas?

Foto: Reprodução

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Quando se ouve falar de “caça-fantasmas” a primeira coisa que nos vem à mente é o filme de 1984, mais voltado à comédia e à aventura do que propriamente ao terror, e que fez bastante sucesso. 

Porém o que era ficção se tornou realidade quando um casal passou a se denominar como caçadores de fantasmas aqui no Brasil. 

Trata-se de João Tocchetto de Oliveira e Rosa Maria Jaques que estão se tornando bastante famosos graças ao espaço que estão conquistando na mídia (até mesmo por não terem concorrentes no gênero). 

Nada contra o trabalho realizado por eles, que inclusive alegam não cobrarem de serviços prestados à pessoas físicas, mas desde a primeira vez que tive contato com as atividades que executam me surgiu certa desconfiança. 

Estou longe de ser cético quanto aos assuntos paranormais, já segui a doutrina kardecista por mais de dez anos, embora hoje não mais, e sou escritor do gênero terror/horror, de forma que pesquiso muito a respeito de manifestações desse gênero (entre outros aspectos) para criar minhas obras. Resumindo: acredito em fantasmas, fenômenos paranormais, espíritos e tudo o mais relacionado ao assunto e não me vislumbro com qualquer coisa. 

Mas o que me faz ter essa desconfiança sobre as atividades do casal?  

Ela começou logo que vi o trabalho que realizaram junto ao pessoal do Lenda Urbana, um canal do Youtube voltado ao horror, no Cemitério da Consolação. 

Nessa ocasião a senhora Rosa “conversa” com o suposto fantasma de um dos envolvidos no famoso crime do Castelinho da Rua Apa, provavelmente Álvaro, sobre quem caiu a culpa pelos assassinatos. 

Por coincidência já escrevi uma matéria sobre esse crime, além de ter um livro publicado em que a história se desenrola no Castelinho, o Sombras do Castelo (2012), e ter participado de um especial de sexta-feira 13 feito pelo pessoal do Lenda Urbana sobre o assunto, ou seja, conheço bem a história do crime e sei que existe muita informação incorreta circulando pela internet. 

Mas pergunto: se os espíritos dos envolvidos no crime (a mãe e os dois filhos) estão por algum motivo aprisionados nas dependências do Castelinho (uma vez que dizem ser assombrado), como algum deles poderia estar no cemitério para conversar com ela? Aliás, conversar é um termo curioso para se utilizar visto que as tais “respostas” dadas pela entidade ocorreram por conta de sinais emitidos pelo aparelho que mede o campo eletromagnético carregado pela senhora Rosa. 

Curiosa foi a forma como ela se comunicou com o espírito: parecia que ela conversava comigo ou com qualquer outra pessoa, sem nenhum preparo, sem nenhuma concentração, nada. 

Quem entende do assunto sabe que para se manter contato com o plano espiritual é necessária uma grande dose de concentração, além de mediunidade, coisa que nem todos possuem. 

A senhora Rosa se denomina médium, mas a ponto de ser capaz de manter uma comunicação de uma forma tão fluída como fez, é de se aplaudir de pé. 

Relevei o caso, até mesmo porque conheço o fenômeno conhecido como “desdobramento”, que permite a um espírito (inclusive de um encarnado) se transportar para outro local, o que poderia explicar o fato de um dos espíritos estar tanto na necrópole quanto no castelinho. Ainda assim esse fenômeno não explica a comunicação tão fácil. Achei muito estranho. 

Entretanto, ao assistir a participação do casal no Programa do Ratinho, ouvi da boca do senhor João que os termômetros por eles utilizados captam a presença paranormal pelo fato de “fantasmas serem quentes e espíritos serem frios”. 

Ok, ele pode ter se expressado mal em uma tentativa de explicar aos leigos sobre as manifestações paranormais, mas vindo de alguém que aparentemente faz um trabalho sério em relação ao assunto fazer um comentário tão leviano como esse me deixou perplexo. 

Como disse, segui o kardecismo por mais de dez anos e nunca ouvi falar de nada parecido. Que diferença pode existir entre um espírito e um fantasma? 

O que popularmente se chama de fantasma nada mais é do que um espírito que por algum motivo não seguiu para outro plano e permanece aprisionado no nosso, o físico. Não há diferença entre um e outro. 

Quando ocorrem manifestações sobrenaturais percebe-se no local uma queda de temperatura, provavelmente pela entidade captar a energia existente ao seu redor para se manifestar, mas essa de quente e frio foi inédita… 

E, para coroar minha indignação, o casal levou ao programa uma parafernália dizendo servir para “atrair” espíritos. Não entendi bem como ela funciona, mas me pareceu ser algo como uma “arapuca para espíritos” ou “chamariz de espíritos”, algo assim. 

Alguém que lida com a espiritualidade de forma séria já ouviu falar da existência de algo a respeito? Eu, pelo menos, nunca. 

Nada contra o trabalho executado pelo simpático casal, afinal de contas cada um ganha a vida da forma que lhe convém, mas esse tipo de coisa só faz com que a paranormalidade permaneça sendo um tabu e até mesmo motivo de piada, como costuma acontecer. 

Não sou especialista do assunto, mas conheço um pouco sobre ele, e diante disso tudo que mencionei esse papo de “caça-fantasmas” me cheira a charlatanismo. 

Quem puder, me prove o contrário. 

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