Brasil também tem seu Guantânamo

Foto: Reprodução
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Já escrevi aqui antes e repito.

Nem conheço Marcelo Odebrecht e sempre achei estranho que o mesmo juiz que mandou prender um monte de empreiteiros não tivesse mandado prender Marcelo Odebrecht.

Mas a lei é pra ser cumprida e a Justiça tem regras.

Uma delas é o sigilo entre advogado e réu, sigilo este lembrado pelo próprio Sérgio Moro no vídeo de ontem.

Então vamos ao caso.

Marcelo Odebrecht está mantido preso apenas por um papel que ele teria entregue ao seu advogado dando instruções de defesa.

Naquela prisão o advogado recebe papéis do seu cliente através de um policial federal.

E aconteceu que Marcelo deu a um policial um papel pra ser entregue ao advogado.

Ao invés de ser entregue, o papel teve cópia divulgada na mídia, sob alegação que Marcelo estaria instruindo o advogado a destruir provas.

Marcelo jamais fez isto porque já expliquei aqui que escrever a palavra destruir quer dizer desconstruir.

É uma linguagem corporativa que conheço muito bem por ter tido algumas empresas de ramos diferentes.

Lidei com os mais diferentes tipos de adversários e advogados e conheço isto por dentro da linguagem.

Não se fala desconstruir por ser uma palavra muito elaborada pra uma discussão.

Então se fala destruir.

Quando dizemos que vamos destruir o adversário não quer dizer que vai se matar o adversário.

A divulgação de um papel entre advogado e cliente é crime em qualquer democracia.

Nos Estados Unidos o policial estaria preso.

A ação toda estaria anulada sem contestação a quem quer que seja.

É inaceitável que Marcelo Odebrecht continue preso por algo que nem fez e mais inaceitável ainda que sua advogada tenha passado a condição de investigada.

Isto ainda é uma democracia.

Não tenho nenhuma raiva de Marcelo Odebrecht porque ele é bilionário e eu não.

Não tenho porque querer mal a Marcelo por sua condição econômica.

Parece que Curitiba virou uma Guantânamo pra deleite dos que odeiam os ricos e pra tristeza dos que vivem o Estado de Direito de agora.

Mande seu e-mail para James Akel : jamesakel@bastidoresdainformacao.com.br

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