BBB recomenda ‘censura’ de 12 anos; entenda

Foto: Divulgação

Um relatório do Ministério da Justiça que analisou capítulos do reality show Big Brother Brasil (BBB), recomendou que o programa permaneça com classificação indicativa de 12 anos. O documento chamou a atenção porque descreveu e avaliou vários detalhes dos episódios em que os participantes ficam confinados numa casa, às vezes só em roupas íntimas ou de piscina. Descreve ainda quando os brothers “rebolam até o chão” na batida de uma música de Anitta ou falam palavrões, mas também narra cenas aparente de assédio sexual.

“Considerando o relatório técnico apresentado, a descrição fática, as tendências de indicação e os aspectos temáticos, contextuais e informativos, opino pela atribuição de classificação indicativa de: ‘Não recomendado para menores de 12 anos, por conter drogas lícitas e linguagem imprópria'”, escreveu a coordenadora de Política de Classificação Indicativa do Ministério Patrícia Grassi.

“Recomenda-se sua exibição a partir das 20:00 horas”, continuou ela, no parecer 66/2020.

A classificação indicativa de programas de TV não é uma invenção da gestão Bolsonaro (sem partido), cujo Ministério da Justiça está em foco depois que relatórios com lista de adversários políticos passaram a ser produzidos pela pasta. Desde a era PSDB e PT, nos governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, o Ministério analisa programas de TV, jogos de videogame e filmes e recomenda às famílias a idade mínima para assistir às peças.

“Isso sempre foi confusão”, disse um ex-servidor do Ministério ao comentar o caso do BBB.

“É vespeiro. Em classificação de novela, a Globo vinha para cima.”

Novelas, filmes, vídeos domésticos (DVDs) ou por demanda (VOD), jogos eletrônicos e de RPG e aplicativos… tudo tem que ser analisado pelo Ministério da Justiça para receber o selo com à recomendação de idade de consumo.

“A classificação indicativa é uma recomendação e não restringe o conteúdo a ser veiculado (censura)”, informou a assessoria do Ministério da Justiça ao UOL.

“A livre expressão e a liberdade artísticas são intrínsecas à produção de obras de televisão, cinema, aplicativos e jogos de RPG. Cabe estritamente aos canais de veiculação escolher o que será transmitido.”

A pasta destacou que desde 1988, a Constituição prevê a classificação indicativa e que isso faz parte do sistema de proteção de crianças e adolescentes.

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