Aumentam os casos de AIDS no Brasil

Por Ana Márcia Aaron

Love and Sex

Segundo o último relatório divulgado, em julho de 2014, pelo Programa das Nações Unidas para HIV e AIDS (UNIAIDS), o Brasil registrou 11% de aumento dos casos de soropositivo entre 2005 e 2013. Isso demonstra que o país está na contramão da média mundial, que teve queda de 27,6% nesse mesmo período.

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, mais conhecida como AIDS, é o estágio mais avançado causado pelo Vírus Imunodeficiência Humano (HIV), em que ataca o sistema imunológico e deixa o paciente vulnerável às diversas doenças, que podem causar a morte. É uma doença sexualmente transmissível e considerada um problema de saúde pública em todo o mundo.

Em 1977 e 1978, na África Central, Haiti e nos Estados Unidos, surgiram os primeiros casos da doença. O vírus pode ter surgido de uma mutação existente no macaco chamado Cercopithecus aethiops, na África. Mas, só em 1982, foi classificada como uma síndrome temporariamente chamada dos 5H, com referência aos heroinômanos (usuários de heroína injetável), homossexuais, hookers (profissionais do sexo, em inglês), hemofílicos e haitianos. A Organização Mundial da Saúde (OMS), em alerta, lançou campanhas ostensivas quanto à prevenção, contaminação e sintomas da doença ainda desconhecida. Em 1982, a AIDS chegou ao Brasil com o primeiro caso em São Paulo.

Mas por que hoje, depois de mais de três décadas, a AIDS continua a crescer, principalmente entre os jovens? Celso Granato, médico infectologista, professor livre-docente de infectologia na UNIFESP e diretor-clínico do Grupo Fleury, aponta dois fatores relevantes para despreocupação atual, principalmente dos jovens, em relação aos riscos do HIV/AIDS. “Em primeiro lugar, essa geração não teve ídolos acometidos pela doença como tivemos nas décadas de 80, 90 e 2000. Não importava a área de atuação ou de interesse de uma pessoa, sempre tinha alguém muito famoso, um ídolo, que tinha morrido de AIDS. Claro, isso impactou milhões de pessoas e elas passaram a se prevenir”, lembra o médico. Outro importante fator apontado foi que, no surgimento da doença, as pessoas morriam em pouco tempo. Atualmente, os avanços das medicações aumentaram muito a expectativa de vida dos soropositivos. Já estão disponíveis cerca de 30 medicamentos ativos contra o HIV. “Ainda que exista essa diversidade de remédios, é importante ressaltar que o vírus não é eliminado totalmente. O paciente terá que fazer uso da medicação durante a vida toda”, alerta Granato. O grande aumento de casos no País provoca atualmente novas discussões em tornos de campanhas e procedimentos para controle do HIV. Para o infectologista Celso Granato, as campanhas realizadas no passado tiveram um resultado muito importante, mas, hoje, o impacto é menor, talvez por não serem mais novidade às pessoas. “Talvez nós, médicos, e os comunicadores sociais tenhamos que ser mais criativos para atingir melhor essa população”, avalia o médico.

Grupos de risco

Os dois grupos com maior incidência da doença são adultos entre 25 e 49 anos e jovens de 13 a 19. Embora o sexo masculino continue registrando a maioria dos casos, as mulheres – principalmente as jovens – vêm apresentando altos índices de infecção.

Índices de transmissão

A maioria das transmissões ocorre por relações sexuais desprotegidas, embora o consumo de drogas injetáveis e a transfusão de sangue incorreta sejam também causadores do HIV. Mulheres: 86,8% dos casos ocorrem em relações heterossexuais. Homens: 43,5% em relações heterossexuais, 24,5% em homossexuais e 7,7% em bissexuais.

Fonte consultada: Dr. Celso Granat, Infectologista, professor livre- docente de infectologia na UNIFESP e diretor- clínico do Grupo Fleury (celso.granato@grupofleury.com.br) Mais informações, consulte aids.gov.br.