As mulheres no futebol brasileiro

 

Não é preciso muito esforço para perceber através da gramática portuguesa que, a palavra futebol é um substantivo masculino. Para colocar em prática o esporte em questão, são necessários alguns elementos fundamentais, dentre eles, a bola, que por sinal é um substantivo feminino. Repare que sem a bola, o jogo não acontece.

Na atualidade está em alta referir-se à mulher como uma figura de independência, coragem e persistência. Dizem que elas realmente sabem o que querem; e será que sabem mesmo? Talvez sempre souberam. Uma expressão conhecida é “por trás de um grande homem, existe sempre uma grande mulher”, frase dita há muitos anos e com grande evidência ao período imperial, época em que D. Pedro I mantinha um suposto romance com Marquesa de Santos (Domitília de Castro Canto e Melo) mulher que se fazia sempre presente em suas decisões políticas.

E onde entra o futebol nessa história? É simples. Por que dizer que esse esporte tão nacionalista é coisa de homem? Futebol é muito mais que trabalho em equipe, é união, confiança, estratégia, superação e persistência, características que não faltam nas mulheres do século XXI. Para alguns, é violento e por isso é melhor restringi-lo ao sexo masculino, outros, acreditam que lugar de mulher é no fogão.

Os preconceitos e estereótipos não se modernizaram, e para as exceções que crescem com o talento, poucas tem a chance de desenvolver suas habilidades. “As pessoas, quando olham o futebol feminino, já pensam que aquela menina é homossexual, gosta de mulher. Não quer dizer que nos outros esportes não aconteça, mas não é tão exposto como no futebol feminino”, diz Marta em entrevista para UOL.

Olhares de críticas não são apenas para aquelas que pretendem seguir uma carreira na área futebolística, ser torcedora fanática basta. E muitas vezes, o preconceito começa dentro de casa. O que para algumas mulheres pode ser inclusive prazeroso e excitante, torna-se uma verdadeira chuva de críticas.

Viver em um Brasil que se diz “o país do futebol” e saber que essa realidade está presente em pleno 2012 é triste. Diante de construções de estádios, preparativos para a Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016, presenciar um Campeonato brasileiro de nível baixíssimo e jogos da seleção masculina nem um pouco atrativos, deveriam ser motivos bastante para investir na mulherada que tanto vem surpreendendo.

Renata Fan, apresentadora da Band no programa Jogo Aberto, provou que mulher entende muito bem de futebol. E talvez, o que falta é apenas um olhar diferenciado da população sobre o tema em questão.

Detalhistas, charmosas, valentes e corajosas. Para quem sabe driblar a vida profissional e golear na educação dos filhos, cuidar do lar e ainda “aguentar o maridão”, bater uma bola aos fins de semana ou encará-lo como um meio de ganhar a vida não é coisa de outro mundo. Assim como os números de torcedoras nos estádios crescem, cresce uma paixão pelo esporte. Talvez só desse modo pudesse dizer que o Brasil é o país do futebol, afinal, um país com maior número de habitantes mulheres e ainda não “deixá-las” fazer parte de fato do esporte mais repercutido é um erro grave.

E enquanto falta investimento, resta a nós mulheres, torcer. Porque gogó não nos falta, isso eles não podem dizer.

@babysarine