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As diferenças entre funk comum, ostentação e apelativo; confira a entrevista com MC Dumbão Ph

BDI Reporter

O funk surgiu através de influências norte-americanas em 1960. Essa década foi marcada pelo “funk indecente”, que acompanhava músicas mais lentas, com danças sexy’s e letras repetitivas. A partir de 70, houve uma das maiores alterações nas características do gênero, que se tornou pesado. Atualmente, as músicas são movidas pelas fusões comerciais e que com a ascensão do funk carioca no Brasil, passou a ter um conteúdo um tanto ligado ao erotismo, rápidas batidas e a atração de muitos jovens.

Não é segredo que o funk tem se expandido relativamente de um tempo para cá. Assim como em todos os gêneros musicais, existem anônimos que podem nos ajudar a entender tais fenômenos, apresentar novidades e quebrar preconceitos. Foi pensando nisso, que ao conversar com “Mc Dumbão”, 18 anos, estudante de Design Gráfico, pude entender um pouco melhor a vida de um Mc, e acreditar cada vez mais que, não podemos generalizar, da mesma forma que existe o funk apelativo também temos que dar voz a quem quer propagar o “funk consciente”, termo que ele identifica o seu trabalho. Confira:

MC gusmão

Mc Dumbão Ph / Foto: Reprodução

Quando você decidiu ser Mc?

Quando mudei para o bairro da Penha na Zona Leste de São Paulo com 13 anos de idade, vi que já era um movimento influente na época. Comecei a ouvir funk com 10 anos, mas nunca imaginava ser um Mc de funk, quando completei 13 anos comecei a compor funk e fui vendo que levava jeito para aquilo e dai fui evoluindo cada vez mais.

Por que você é conhecido como Dumbão Ph?

Sou conhecido como ‘’dumbão’’ por ter as orelhas grandes, carregava esse apelido desde a 4ª série e acabei levando para um nome artístico já que todos me conheciam por ele.

Quem escreve suas músicas?

 Eu mesmo escrevo, outros Mcs já até me ofereceram composições para que eu gravasse, mas nunca me senti bem em cantar uma música que outra pessoa tinha escrito, pois ali não está a minha realidade.

Onde você busca inspiração?

O que me inspira são as feridas que ainda não estão curadas, além disso, o Sol, uma simples vista de uma favela, enfim, tudo aonde eu possa enxergar algo além é inspirável, em geral a dificuldade do povo brasileiro me inspira.

Quais os temas que você aborda?

 Minhas ideias na música são basicamente todas fundamentadas no rap e no reggae, levo em consideração a raiz do funk. Sou contra esse novo estilo conhecido como ‘’funk ostentação’’, vem sujando a mente de muitas crianças.

Acha que é possível seguir uma carreira trabalhando somente como Mc?

É bem complicado, no meu caso faço faculdade visando algo fixo, e minha vida de mc por enquanto é tudo feito por amor mesmo, não ganho nada, o mercado do funk é complicado, se você canta ‘’funk consciente’’ você não é visto por ninguém do gênero, mas se você canta o que faz sucesso tudo é mais tranquilo, eu estou totalmente na ‘’contra mão’’ do sucesso, é tudo muito meu mesmo, amo o funk das antigas, ‘’funk raiz’’ e apenas quero representa-lo, não quero deixa-lo morrer de forma alguma.

 Como você divulga seu trabalho?

Divulgo meu trabalho por meio de redes sociais, pelas ruas sempre quando conheço alguém gosto de me apresentar, falar o que faço, e assim vou ganhando um reconhecimento.

Algum Mc que você admira?

São muitos, Mc Duda do Marapé, Felipe Boladão, Cidinho e Doca (hoje separados), Mc Careca, Mc primo, Mc’s Danilo e Fabinho (hoje separados), Mc Orelha, Mc Didô, Mano Teko, Mc Hudson 22…

Por que você acha que o Funk está “crescendo” tanto?

 O funk está crescendo, pois tudo se modernizou né, agora tem produtor de vídeo clipe e uma série de outras coisas, mas pra quem vem das antigas isso não significa progresso pro funk, o funk original vinha das letras revoltadas e de outros tipos, isso que a mídia mostra hoje não é funk.

E o que você acha que é o funk atual?

Hoje em dia eu acho que o funk perdeu totalmente a essência, hoje o funk está corrompido, sujo. Muitos Mc’s indo em programas de televisão, isso não é o mal, mas eles deveriam só ter um pingo de consciência ao falar, acho que deveriam ao menos só lembrar dos Mc’s que arquitetaram todo esse movimento, ninguém lembra, mas quem sofreu pelos preconceitos pelo gênero foram eles.

Você havia falado do “Funk ostentação”, o que pensa sobre?

Geralmente vejo muitos dos Mc’ s que fazem parte desse estilo falarem em humildade, acho meio contraditório falar em humildade quando se está na contra mão da pessoa humilde, esse funk ostentação não é progresso pra quem vem de baixo, onde está a voz de quem não têm? As crianças, os pobres e as favelas que eles tanto falavam foram esquecidas em meio ao sucesso.

Bárbara Saryne – BDI

“BDI Repórter”, todo sábado, às 20 horas.

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