Annabelle e Robert, os bonecos malditos

 Depois da real história do lobisomem…

arquivo do horror

Existe aquela conhecida piada que diz: “O problema não está em falar com os bonecos, mas sim eles começarem a responder”. 

Hoje vou falar sobre dois casos relacionados a essa piada: o da boneca Annabelle, que se tornou famoso graças à Hollywood e outro, menos conhecido e ainda não explorado pelo cinema, o do boneco chamado Robert. 

Já adianto que não assisti ao Annabelle e não tive nenhuma vontade de assistir depois de ver, no trailler, que a boneca utilizada no filme não tem nada a ver com a da lenda original. 

Desastres hollywoodianos à parte, vamos ao que interessa: as lendas. 

Veja essa simpática boneca Raggedy Ann e me diga: ela não seria um belo presente para sua filha?  

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Mas o que são essas bonecas Raggedy Ann

Raggedy Ann é um personagem fictício criado em 1915 pelo escritor americano de livros infantis Johnny Gruelle (1880-1938) e apresentado ao público pela primeira vez em 1918 no livro “Histórias de Raggedy Ann”.  

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Raggedy Ann são bonecas de pano com cabelos feitos de lã vermelha e com um nariz triangular que passaram a ser comercializadas devido ao grande sucesso conseguido pelo personagem. Eram feitas originalmente à mão, mas diante do sucesso que fizeram as grandes empresas passaram a fabricá-las em grande escala. 

 Gruelle criou Raggedy Ann para sua filha, Marcella, quando ela lhe trouxe uma velha boneca de pano e ele, sendo também ilustrador, desenhou um rosto nela. O nome ele obteve ao ler um livro de poemas e combinando o título de dois deles, “The Raggedy Man” e “Little Orphant Annie” e batizou a boneca como Raggedy Ann, que em português significa Anna Esfarrapada.  

O personagem agradou tanto as crianças que foram criados até desenhos animados com ele. 

 Um singelo mimo para se dar como presente, concorda?  

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Eram bonecas inocentes como qualquer outra, não fosse a lenda que surgiu acerca de uma delas, batizada como Annabelle.  

A lenda fala sobre uma boneca que passou a apresentar diversas manifestações demoníacas, na década de setenta, e se popularizou com o lançamento do filme “Invocação do Mal” (The Conjuring) em 2013 e, posteriormente, em 2014, o conhecido “Annabelle”.  

Mas qual a lenda sobre tão singelo brinquedo? 

 As amigas Donna e Anngie, estudantes de Enfermagem, dividiam um apartamento e levavam uma vida comum até que em seu aniversário Donna foi presenteada pela mãe com uma boneca Raggedy Ann.  

Fã do personagem, Donna dedicou um lugar especial na decoração do seu quarto para a boneca, deixando-se sobre sua cama. 

 A vida das amigas seguia normalmente até elas começarem a notar que a boneca mudava de posição sozinha. No começo era uma das mãos ou das pernas que ficavam em posições diferentes, depois a cabeça, com o rosto voltado para uma direção diferente daquela que tinham deixado, até que a boneca começou a aparecer em outros cômodos do apartamento.  

Diante do absurdo da situação elas imaginavam que alguém estivesse invadindo o apartamento e usando a boneca para pregar-lhes peças.  

Quando estava próximo de completar um mês que Donna havia sido presenteada com a boneca o mistério atingiu outro patamar: estranhos pergaminhos antigos com pedidos de socorro começaram a aparecer. Nenhuma delas tinha um material daquele tipo, como era possível? 

 Certo dia, quando Donna chegou da faculdade, a boneca foi encontrada sobre sua cama com o peito e as mãos com estranhas manchas semelhantes a sangue. Foi quando enfim decidiram desvendar o mistério e, para isso, procuraram uma médium.  

Foi realizada então uma sessão espírita para que a médium mantivesse contato com a entidade que estava se manifestando através da boneca. Foi quando o espírito se identificou como sendo Annabelle Higgins, uma menina que, aos sete anos de idade, foi morta no mesmo local onde foi construído o prédio onde agora as amigas moravam. 

 Por simpatizar com Donna e Anngie,  a entidade decidiu ficar junto delas e manifestar-se através da boneca. Segundo ele, procurava apenas atenção e carinho das amigas que, compadecidas pela carência afetiva, não fizeram nenhuma objeção em tê-lo junto delas. 

 Mas nem todos simpatizaram com essa ideia. Lou, um amigo das garotas que estava a par dos sinistros acontecimentos, as aconselhou a se livrarem da boneca, mas foi ignorado. Uma menina querendo carinho e atenção, como elas poderiam ignorá-la? 

 Passaram-se algumas semanas. 

 Certo dia Lou e Anngie estavam sozinhos no apartamento quando ouviram estranhos ruídos vindos do quarto de Donna. Suspeitando que pudesse ser um invasor Lou foi até o cômodo e se deparou apenas com a boneca caída em um canto do quarto. Ao aproximar-se do brinquedo ele teve a nítida impressão de haver alguém atrás dele e quando se virou teve uma rápida visão: ele estava agarrado ao próprio peito, sangrando. Assim que a visão terminou Lou sentiu uma forte dor no peito e ao erguer a camisa percebeu que não havia sangue, apenas marcas de garras, semelhantes a queimaduras.  

Diante de tão bizarro episódio Donna aceitou a ideia de que o espírito que se manifestara identificando-se como Annabelle poderia ser algo mais maligno. Foi quando decidiram entrar em contato com o padre da paróquia local. 

 Por não estar apto a realizar exorcismos, o padre levou o caso ao conhecimento de Ed e Lorraine Warren, um casal de investigadores paranormais já famosos pelos casos que haviam solucionado. 

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 De acordo com as explicações do casal de especialistas, espíritos não possuem objetos, como casas ou bonecos, mas sim pessoas. Já uma entidade demoníaca pode se ligar a um lugar e se utilizar de objetos com o objetivo de atormentar e debilitar psicologicamente as pessoas. Através desse objeto a entidade atormenta e enfraquece um possível hospedeiro humano até que possa dominá-lo. Para o casal de investigadores todas as ações dessa entidade que manipulava a boneca Annabelle visavam a possessão de Donna ou Anngie.  

 Segundo eles as manifestações provavelmente durariam mais algumas semanas e poderiam resultar na morte de Lou, que se opunha à presença da boneca no apartamento e já havia sido “atacado” e, posteriormente, na possessão de alguma das amigas.  

Os Warren tiraram a boneca Annabelle do apartamento e a levaram para casa, onde já guardavam inúmeros outros objetos relacionados a casos semelhantes, e padres realizaram exorcismos no lar das amigas para livrá-lo de toda energia negativa trazida pela entidade que se manifestava através da boneca.  

Até que o casal encontrasse a caixa onde a boneca está hoje guardada diversos fenômenos ocorreram na casa deles: a boneca continuou aparecendo em outros cômodos e chegou, por algumas vezes, a levitar. 

 Embora esteja acondicionada em uma caixa de vidro e as manifestações tenham cessado, o mal contido na boneca não está inerte.  

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O casal Warren mantém desde 1952 um museu sobre ocultismo onde estão guardados diversos objetos, entre eles a boneca Annabelle.   

Certa vez um casal de jovens, como tantas outras pessoas, foi conhecer o museu e após ouvir os relatos de Ed sobre a boneca, o rapaz começou a bater contra a caixa onde ela está exposta. Ele gritava, enfrentando-a, dizendo que se ela realmente possuísse algum poder deveria marcar seu peito, assim como fizera com Lou. Obviamente Ed o expulsou do museu.  

Enquanto retornavam para casa os jovens riam do que acabara de acontecer até que sofreram um acidente. O rapaz perdeu o controle da moto e eles acabaram colidindo com uma árvore. A garota permaneceu internada durante várias semanas, mas sobreviveu, ao contrário do rapaz, que morreu no local do acidente. 

 Uma trágica coincidência? Talvez… 

 Mas a história de Annabelle não é a única sobre bonecos possuídos por entidades malignas, existe, entre tantos outros, o caso do boneco Robert, que inspirou a criação de Chuck, o Boneco Assassino, dos cinemas. 

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 Essa lenda se baseia na vingança realizada por uma empregada jamaicana, em 1896, na cidade de Key West.  

 Habilidosa em magia negra e vodu e insatisfeita com a família Otto, para qual trabalhava, ela entregou ao garoto Robert Eugene um boneco. 

 Esse boneco, recheado de palha e com o rosto diferente dos demais bonecos da época, por ser extremamente “humanizado”, logo mostrou não ser um presente comum.  

De acordo com os familiares, Eugene foi várias vezes flagrado conversando com o brinquedo, que respondia com uma voz própria. 

 O boneco começou, então, a aparecer em lugares estranhos da casa e, por algumas vezes, movimentar-se por conta própria. 

 Eles relataram, ainda, ouvirem risadas do boneco e que, em certas ocasiões, viam o vulto do brinquedo perambulando pela casa.  

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Mas não foi apenas a família que testemunhou ocorrências estranhas relacionadas ao boneco. Alguns vizinhos disseram tê-lo visto espiando pelas janelas da casa, quando a família não estava lá.  

 Diversas vezes os pais do garoto foram acordados com gritos de desespero do menino, móveis derrubados e a presença macabra de Robert, o boneco, a quem era atribuída a bagunça.  

 Chegou o dia em que Robert foi então trancado no sótão da casa e a situação melhorou, embora quem visitasse o lugar afirmasse ouvir passos pelo sótão e até mesmo risadas. 

 Quando Eugene morrei, em 1974, a história do boneco acabou sendo esquecida e a casa foi então vendida. 

 Mas Robert ainda estava na casa e acabou sendo encontrado pela filha do casal, de apenas dez anos de idade. 

 Não demorou muito para que ela começasse a dizer aos pais que havia algo de errado com o boneco. 

 Vitimada por acontecimentos funestos (de acordo com ela o boneco a torturava e atormentava) ainda hoje, após quarenta anos, ela ainda afirma que o boneco quer matá-la.  

 Atualmente Robert está exposto no Museu Martello, em Key West.  

 No Brasil também existem lendas semelhantes, como o casos dos bonecos do Fofão e da Xuxa, que também dizem serem amaldiçoados, mas esses dois são considerados apenas “lendas urbanas”, sem nenhuma investigação séria ter sido realizada sobre eles. 

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 Na minha opinião o caso do Fofão não passa de uma obra do mau gosto  daqueles que fabricaram o brinquedo, que poderiam ter usado outra forma de fixar a cabeça ao corpo do boneco. Uma vez que não se conhece nenhum caso em que o brinquedo em questão tenha feito mal a alguém, não pode ser levado em consideração. 

 Se as histórias de Annabelle e Robert são ou não verdadeiras não me atrevo a julgar, embora as histórias acerca deles falem por si. 

 Mas uma coisa é sempre bom ter em mente: nunca é prudente desafiar o mal. 

casarao chamada

 

Você conhece esta casa? Você pode não morar longe dela, sabia? Fica em uma grande cidade do Brasil e esconde um passado terrível, além de histórias arrepiantes. Vamos conhecer na semana que vem.

 Arquivo do Horror, toda quarta-feira, às 20h, no BDI.

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