Alzheimer pode aumentar na América Latina até 500% em 2050

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Das várias doenças neurológicas, o Alzheimer é  uma das mais cruéis, pois vai apagando toda uma vida de lembranças, emoções e atividades que ao longo da vida são adquiridas. A enfermidade chega discretamente e por muitas vezes, no início,  é confundida com caduquice ou pior acham que é um simples esquecimento ou distração do idoso.

Descoberta da doença:

Em 1906, Alois Alzheiemer, alemão,  foi o primeiro médico a observar os sintomas da doença em uma paciente. Auguste Deter, 51 anos, aparentemente saudável, foi diagnosticada com a doença após ser observados pelo médico, dia a dia, dificuldades pra se expressar, compreensão intelectual, mudanças de comportamento, perda progressiva da memória e chegando a comprometer, até mesmo, o ato de se cuidar.  Após o falecimento de Deter foram feitos estudos e observados, em autópsia, alterações no cérebro da paciente que confirmava a doença.

De acordo com os últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística(IBGE), 2016, a tendência é que o idoso acima de 65 anos tem dua vezes mais chances de desenvolver a doença. Outro dado que assusta divulgado pela Associação Brasileira de Alzheimer é que a cada duas pessoas que terá a moléstia, uma não saberá que a possui.

No Brasil a enfermidade atinge mais de 1,2 milhão e alerta que até 2030 dobre o número de casos.

Segundo a Organização Mundial da Saúde até 2050 o índice da doença pode chegar até 500% em toda  América Latina.

Reprodução- Dados da OMS

O que é?

A doença de Alzheimer é neuro- degenerativa, com estágios que variam de cada pessoa, ou seja, tem casos que a progressão é mais rápida. Essa patologia não tem cura, não há como prevenir e muitas vezes seus sintomas são observados tardiamente.

 

Sintomas:

  • mudança de comportamento e humor;
  • perda de apetite e peso;
  • ansiedade, alteração da personalidade;
  • dificuldade de reconhecer amigos e parentes;
  • esquecimento de datas importantes e muitas vezes ausente de fatos atuais;
  • comenta várias vezes o mesmo assunto sem perceber;
  • com o agravamento da doença o idoso tem dificuldade de falar, andar, se alimentar e cuidados pessoais;
  • incontinência urinária e fecal;
  • distúrbio do sono;
  • vagância, sem noção de espaço e tempo.

Exames:

  • de sangue;
  • imagem do cérebro (tomografia);
  • retirada do líquido da espinha (líquor).

Prevenção:

Infelizmente a doença é incurável e não tem nenhum meio de prevenção.

Tratamento:

O Sistema de Saúde Único, desde 2002, integrou à assistência de portadores de Alzheimer em seu cronograma e também medicamentos para o tratamento.

Mais informações:

http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2014/abril/02/pcdt-doenca-de-alzheimer-livro-2013.pdf

http://abraz.org.br/abraz-na-midia/release-institucional-doenca-de-alzheimer

 

AOS POUCOS ESTOU ME TORNANDO UM LIVRO DE PÁGINAS EM BRANCO

A vida nos leva para caminhos tão bons e inesquecíveis que jamais queríamos esquecer. Sempre aprendi que o material passa, se quebra, fica velho, mas os sentimentos são os que realmente ficam, que marca, que nos lembram e eterniza as pessoas para sempre. Mas aos poucos percebo que algumas informações ou lembranças estão escapando da minha memória e isso me incomoda, mas deve ser a idade diz a minha filha.

Mas o que o que está acontecendo comigo? Pouco me lembro da minha infância, ou pior pouco me lembro da semana passada. Será que o tempo está correndo tão rápido assim, que não consigo guarda as coisas mais simples do dia a dia? Por muitas vezes pego meus familiares me olhando com uma cara de espanto ou como se nada estivesse entendendo. Eles estão loucos?

Num certo dia acordei em um lugar bem claro e estranho, não conhecia nada e nem aquelas pessoas que me cercavam, nada mesmo. Das poucas vezes que me lembro uma moça com avental branco me perguntava sempre que dia era hoje, como era meu nome e se eu lembrava dos nomes dos meus filhos, mas eu não tinha filhos.

Algumas coisas e momentos começavam a ficar em branco na minha mente eu preferia ficar isolado, calado, pois não me encaixava naquela casa e nem com aquelas pessoas. Mas nos meus momentos de lucidez minha família fez uma reunião e me explicou o motivo por estar passando por essas mudanças, o que iria acontecer com o progresso da doença, falaram tudo, não me esconderam nada. Estava com Alzheimer, a ladra de lembranças, de sentimentos, do aprendizado, da nossa existência.

A primeira coisa que pensei foi anotar tudo, o que tinha acontecido durante o dia e as boas lembranças da minha vida, esse seria o meu diário de bordo que estará sempre ao ado da minha cama, porém tinha dias que nem o que aconteceu pela manhã já não lembrava mais, nem ao menos por que aquele caderninho cheio de recadinhos na capa significava nada. A minha mente estava cheia de nuvens, tudo em branco.

Essa doença é tão triste para a família, ver seu ente querido esquecer das coisas mais simples da vida, de levantar uma colher e não saber que deverá colocar na boca para se alimentar, olhar para seus filhos e nem saber quem são, tudo tão cruel. Comecei minha vida sem lembranças e estarei ao fim dela também sem nenhuma. Me sinto aos poucos que estou virando um livro com páginas em branco. Só sei que nos meus poucos momentos de lucidez saberei que aquelas pessoas que estão ao meu lado me amam, mesmo que eu não lembre mais delas.