Aidar cobra provas e ataca Osorio

Foto: Divulgação
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O ex-presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, afirmou, em uma entrevista para o “Estadão”, que quer provas de que desviou dinheiro do clube, demonstra arrependimento de ter voltado e questiona a fidelidade dos membros da diretoria durante sua gestão. Ataíde Gil Guerreiro, foi o responsável pela acusação e diz ter provas baseado numa conversa gravada entre eles.

– Se ele não mostrar, vai ficar complicado. Acho que ele gravou. Eu não lembro exatamente as palavras, mas lembro algumas das coisas. Recompondo a memória, ficou nítido que as perguntas eram ensaiadas. Comecei a perceber que as perguntas eram específicas de pontos possivelmente polêmicos, meio que provocativos. Mas isso já foi. Eu quero que seja apurado tudo. Faço questão que se faça uma auditoria. Isso é muito importante para o São Paulo e obviamente, para mim. É importante que seja investigado cada um desses contratos. Os meus sigilos fiscal, bancário e telefônico estão todos liberados para quem quiser, a hora que quiser. Eu não tenho nada a esconder de ninguém. Nunca tive e não vai ser agora. Tudo está à disposição, disse Aidar.

Sobre uma suposta briga que se envolveu com Ataíde, Aidar admitiu que os ânimos ficaram exaltados, mas disse que a agressão não aconteceu.

– Estávamos reunidos eu, Ataíde, Paulo Ricrado (CEO), Douglas (Schwartzmann, ex-vice de marketing) e o Julio Casares (ex-vice geral), e começou uma discussão sobre o caso do Iago Maidana. Eu expliquei: “Tudo isso começou lá na base, não foi comigo, eu só fui na concretização para assinar. Não conheço essas pessoas, nunca vi essas pessoas, nem sabia que o cara joga no Criciúma, só sabia que era da Seleção”. Aí o Ataíde ficou nervoso, começamos a bater boca e houve uma tentativa de agressão. Não teve soco, faltou pouco. Se o pessoal não segura, talvez tivesse acontecido.

Sobre supostos problemas financeiros pessoais de Ataíde, Aidar confirmou ter conhecimento, mas pediu licença para não revelar.

– Não quero atacar o Ataíde. Nem tenho razão para falar com ele mais. Não é minha intenção (processar). Não adianta ficar remoendo.

O antigo mandatário afirma que Juan Carlos Osorio mentiu para ele e admite autoria da polêmica mensagem para o colombiano, pedindo o fim do rodízio. Osório deixou o São Paulo para treinar a seleção do México. Ele também acusa o empresário Abílio Diniz de interferir nas escalações do time, por meio do auxiliar Milton Cruz.

– Eu tinha certeza que ia embora. O Osorio mentiu dizendo que estava procurando apartamento, mas não saía do flat. Ele havia ido a casa do Abílio. O Milton Cruz é bem amigo do Abílio. Quando assumi, proibi a comissão técnica de ir de celular para o banco de reservas. O Abílio ligava durante o jogo para o banco para colocar jogador, telefonava para o Milton para mudar o estilo do jogo. Quando me tornei presidente, ia ao vestiário e pedia para deixarem o celular lá antes de ir para o campo. Durante o jogo ele ligava. O Muricy Ramalho não levava a sério. Eu tenho receio do Doriva não ficar muito tempo, por ter sido escolha minha. Acho que vão querer tirar ele.

Sobre o caso Maidana, o ex-presidente do tricolor afirmou não saber quem foi o responsável por fechar a transferência do jogador. Ele cita a participação de Júnior Chávare, ex-gerente da base.

– Foi tocada por ele até um determinado momento, que ele saiu do circuito. Foi embora e voltou para o Rio Grande do Sul. Eu não conhecia o tal do Itaquerão Soccer (empresa que participou da negociação) e nem o Monte Cristo (clube da terceira divisão goiana, no qual Iago foi registrado por dois dias). Chegou um contrato para eu assinar. Foi o futebol profissional que fechou. Nunca fui o primeiro a assinar um contrato. Sempre tinha antes a assinatura do futebol, do financeiro e do jurídico, afirmou o ex-presidente.

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