Acervo de Vasco Barioni traz de volta os anos 50 em São Roque

Vander Luiz

A exposição “Cinema, Teatro e Chás Dançantes: os anos 50 em São Roque” traz parte do acervo de Vasco Barioni com obras de autoria própria e de artistas como Pedro Gentili (1903/68 responsável pela pintura interna da Igreja da Matriz entre 1954/56), Romolo Lombardi (1891/1957) e do sanroquense Darcy Penteado (1926/87). Instalada no Centro Cultural Brasital começou no dia 15 de outubro e prossegue até o próximo dia 30 com entrada franca.

“O Cine São José tem várias salas e o material desta exposição estava em uma delas. Tem ainda muita coisa para ser analisada e recuperada”, comenta o artista Roland Moser, um dos curadores da exposição ao lado da esposa Magali Nogueira, de Sissi Bembom neta de Vasco Barioni e Dario Bueno responsável pelas obras de Romolo Lombardi.

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(Foto:Reprodução)

“Foram digitalizados e recuperados mais de 600 ítens. É uma quantidade muito grande, mas infelizmente nem tudo pode ser recuperado”, informa Magali Nogueira.

“Romolo foi cenógrafo do Teatro Municipal de São Paulo e amigo pessoal de Vasco. Ele se entusiasmou com São Roque e o Vasco se aprimorou com os ensinamentos dele”, lembra Zé do Nino (José Carlos Dias Bastos), um dos grandes companheiros de Vasco ao longo de décadas que também colabora com a exposição com alguns itens do acervo pessoal. Por isso, ganhou um painel na exposição.

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(Foto:Reprodução)

A irmã Íris Barioni (com a sua famosa groselha na cantina do Cine São José), o dentista e pintor sanroquense Murilo Silveira e Pedro Gentili também são lembrados.

“Durante a vida inteira Vasco participou de tudo. Uma das pessoas mais importantes que nasceu e morreu aqui em São Roque”, destaca Zé do Nino. Vasco sempre esteve ligado às artes como pintor, músico e na montagem de peças teatrais, além da construção do Cine Teatro São José inaugurado em 19 de março de 1951 e da introdução dos tapetes de rua na procissão de São Roque em 1975.

Além disso, organizou as primeiras Festas do Vinho nas décadas de 40 e 50 no Largo dos Mendes, foi vice-prefeito na primeira administração Mário Luiz Campos de Oliveira (1960/63) e comerciante sendo dono da Casa Verani. Morreu aos 98 anos em 14 de abril de 2009.

É impressionante que Vasco Barioni tenha guardado por tantos anos cenários de peças como “Narizinho Arrebitado” (1946) e “Branca de Neve e os Sete Anões” (1947) que foram encenadas no Pavilhão Popular que funcionou na Padre Marçal (hoje FAC-São Roque). Período quando o prédio do antigo cinema foi administrado pela Sociedade Recreativa Ferroviária.

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(Foto:Reprodução)

“O mais vistoso é o Bosque da Branca de Neve retratando a Floresta Negra”, cita Zé do Nino. “No cenário tinha um tronco como se fosse uma ponte onde passavam os sete anões representados pelos meninos Neyland Franco (Mestre), Sérgio Boccato (Soneca), Nininho Biazzi (Zangado), Mário Biazzi (Atchim), Túlio Bellini (Dunga), Paulo Rocha (Dengoso) e Walter Mendes (Feliz).  Marisa Bonini interpretou a Branca de Neve e Ednelson Franco foi o príncipe”.

“Foram peças em benefício da Caixa Escolar do Grupão (Bernardino de Campos). Lembro que as professoras, entre elas algumas de minhas irmãs e a esposa de Vasco, passavam a tarde costurando fantasias”, completa Zé do Nino.

“Ele tinha uma técnica para montar os cenários que eram desenhados em folhas de papel e depois emendadas. Deixava uma margem para a colagem e contava com ajuda de pesos para prender as folhas”, lembra José Henrique Campos de Oliveira, que auxiliou Vasco em vários trabalhos e também colaborou na recuperação do acervo.

“Pena que não deu para salvar o último cenário que ele fez onde mostrava uma paisagem com árvores. Foi quando me ensinou a pintar o céu”, recorda Zé Henrique. “Alguns cenários foram construídos em apenas dois dias de trabalho”.

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(Foto:Reprodução)

A exposição faz parte do projeto “Memórias: o Cine São José e a efervescência cultural de São Roque nos anos 50” beneficiado pela Lei de Incentivo à Cultura através do Fundo Municipal de Cultura da Prefeitura de São Roque. O visitante poderá ainda ver croquis que Vasco desenvolveu para a Festa do Vinho, Festa de São Roque (portal na rua XV de Novembro) e modelos da fachada do Cine São José, além de clichês utilizados para divulgar a programação do cinema no Jornal O Democrata.

Zé do Nino conseguiu resgatar no arquivo da Igreja da Matriz fotos das Cavalhadas (lutas entre cristãos e mouros) organizada por Vasco Barioni no antigo Campo do São Bento (avenida Antonino Dias Bastos) quando foi festeiro de São Roque ao lado de Murilo Silveira em 1954.

Por conta da redução do horário de atendimento ao público adotada pela Prefeitura de São Roque, a exposição fica aberta de segunda a sexta-feira das 8 às 12 horas, no Centro Cultural Brasital. Neste sábado (24 de outubro) das 10 às 17 horas. Escolas e grupo interessados podem agendar visitas com Magali Nogueira pelo telefone (11) 4711-1677.

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