Ação do Álcool no Cérebro e as Aranhas Caranguejeiras

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Ação do Álcool no Cérebro

Primeiramente, vamos descrever o caminho geral pelo qual o álcool ingerido percorre em nosso organismo.

Assim que ingerimos o álcool, parte dele já é absorvido pela própria mucosa da boca. Ele desce pelo esôfago até o estômago, e captamos 20-25% do álcool até este ponto. Entretanto, a maior parte do álcool é absorvido pelo intestino delgado e transferido para o sangue, logo após o estômago. Ao atingir a corrente sanguínea, ele é distribuído para vários órgãos do corpo, principalmente aqueles ricos em água, tais como o cérebro, coração, fígado e rins. No fígado ocorre a maior parte do metabolismo (processamento) do álcool, onde ele é quebrado em partículas menores, como o acetaldeído, substância muito mais tóxica que o próprio álcool (etanol) e que leva um tempo para ser metabolizada, e costumamos beber muito mais rápido do que a capacidade de metabolização de nosso fígado. Apenas uma baixa percentagem do álcool é eliminada pela urina, suor e na respiração. Iremos mencionar aqui apenas a ação do álcool em nosso cérebro, mas a título de curiosidade, é justamente a exposição prolongada ao acetaldeído que nos causa a famosa ressaca.

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Agora, como o álcool atua em nosso cérebro?

Sabemos que o nosso cérebro consiste, biologicamente falando, em nosso “eu”. Existe transplante de coração, fígado, pulmão, rins e etc., mas não existe transplante de cérebro e nem vai existir (creio eu). A função do cérebro é captar estímulos do meio ambiente, decodifica-los para uma linguagem bioquímica que nosso corpo entenda, processá-los e por fim tomar uma decisão. Resumindo, podemos dizer que a função do cérebro é regular as nossas condições internas (temperatura, etc.) e gerar os nossos comportamentos. Ele faz isso, basicamente, por meio de comunicações químicas chamadas de sinapses, e a vasta maioria das sinapses utilizam mensageiros químicos chamados de neurotransmissores. E é bem aí que o álcool atua…

O glutamato consiste no principal neurotransmissor excitatório do nosso sistema nervoso, ou seja, ela aumenta a atividade cerebral. O que o álcool faz nos neurônios é diminuir a liberação deste neurotransmissor, logo, diminui também a atividade cerebral. Outro neurotransmissor muito importante é o GABA, porém este é inibitório, ou seja, reduz a atividade cerebral. Além de diminuir a liberação de glutamato, o álcool aumenta a liberação de GABA, o que diminui mais ainda a atividade cerebral. Isso, em conjunto, causa os sintomas comuns que vemos nas bebeiras da vida: pessoas caindo por aí, sem coordenação, falando esquisito, pagando mico e tudo mais o que se refere às funções motora e cognitivas de nosso cérebro.

E por que ficamos mais alegres quando bebemos álcool? O álcool atua também em outros neurotransmissores, como, por exemplo, aumentando a liberação de dopamina e serotonina. A dopamina, no sistema de recompensa do cérebro, faz com que nos sintamos bem e com uma sensação de “quero mais” (muitas vezes causando o vício). Por isso você se sente bem de início, mas há um momento em que mesmo bebendo mais e mais, não aumentará a liberação de dopamina, e o prejuízo dos outros neurotransmissores prevalece. Interessantemente, pesquisadores acharam que o efeito do álcool na liberação de dopamina é muito mais intenso em homens, o que explica porque a maior parcela da população que consome álcool são os homens. A serotonina, por sua vez, é um neurotransmissor ligado diretamente ao prazer, humor e ansiedade. Ao ter sua liberação aumentada pelo álcool, a serotonina promove euforia, otimismo, etc.

Não obstante, o álcool atua aumentando a liberação de outra classe de neurotransmissores: as endorfinas, cujo mecanismo de ação é muito semelhante às drogas como a morfina e heroína. Isso nos causa euforia e também diminui o sentimento de dor.

A alteração destes neurotransmissores exerce seu papel em diferentes regiões do cérebro. No córtex cerebral, ela promove a sensação de se estar inibido; no cerebelo, diminui a coordenação; no hipotálamo e pituitária, aumento do desejo sexual, porém com diminuição na performance; e na medula, causa-nos sono… Tudo isso porque o álcool atua nos neurotransmissores, os mensageiros internos de nosso corpo.

 

Tarântula – Aranha Caranguejeira

Tarântula

 

As aranhas, animais pertencentes à classe dos artrópodes, diferentemente dos insetos, possuem apenas dois segmentos: o cefalotórax e abdômen, além de possuírem quatro pares de pernas e ausência total de antenas.

As aranhas caranguejeiras, como são conhecidas no Brasil, pertencem à família Theraphosidae e compreendem 930 espécies diferentes, já catalogadas. As caranguejeiras consistem nas maiores aranhas já identificadas em nosso planeta, havendo espécies que atingem 30cm de comprimento. Elas são encontradas praticamente em todos os continentes, exceto na Antártica.

As caranguejeiras atingem a maturidade sexual por cerca de cinco anos, e os machos morrem logo após o acasalamento com cerca de 5 a 7 anos de vida, enquanto as fêmeas podem atingir os 25 anos. Aproximadamente cem a trezentos ovos são colocados oriundo do acasalamento. As caranguejeiras possuem hábito noturno e se alimentam de pequenos animais, principalmente insetos, embora anfíbios, pequenos roedores e aves estão inclusos no cardápio.

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As aranhas caranguejeiras são repletas de cerdas, que juntamente com seu tamanho, assustam a maioria das pessoas, mas na realidade, seu veneno é inofensivo aos seres humanos. O máximo que pode ocorrer ao ser picado por uma aranha caranguejeira será uma intensa dor local e possível reação alérgica, decorrente da perda de suas cerdas. No mais, este é um animal muito intrigante 🙂

 

 

Referências:
http://www.forbes.com/sites/daviddisalvo/2012/10/16/what-alcohol-really-does-to-your-brain/
http://www.ablongman.com/html/psychplace_acts/addiction/transmitters.html
http://mundoestranho.abril.com.br/materia/como-o-alcool-age-no-corpo
http://noticias.uol.com.br/saude/infograficos/2013/02/13/saiba-como-funciona-a-ressaca.htm

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Autor: Cainã Max Couto da Silva – Biólogo, pesquisador e fundador do Canal Biociências.

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