A verdadeira história do MMA

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Ao contrário do que muitos acreditam, o que hoje é conhecido por MMA não surgiu na década de noventa, com a criação do UFC. 

 Em 648 a.C., na Grécia, foi criado o pancrácio, estilo de luta então utilizado nos treinos militares espartanos que consistia na aplicação de golpes como chutes, socos e estrangulamentos e que só chegava ao final quando um dos lutadores estivesse inconsciente. 

Porém, na década de trinta, Carlos Gracie começou a promover confrontos entre os lutadores de jiu-jitsu brasileiro (seus alunos) e atletas praticantes de outras artes marciais com o objetivo de tornar a chamada “arte suave” mais popular. Mas o jiu-jitsu brasileiro (também conhecido como jiu-jitsu Gracie) por eles praticado é diferente da arte marcial original. Enquanto a brasileira se baseia mais nas técnicas de chão, a que se originou na India, com os monges budistas e se popularizou no Japão, abrange também técnicas de luta em pé.  

Após algumas décadas, em 1993, Rorion Gracie organizou o primeiro evento da organização de MMA mais popular atualmente, o UFC, que tinha como objetivo descobrir qual era a melhor arte marcial. Nele participavam lutadores de diferentes artes, como o sumô, o kickboxing, o wrestling, o karatê, o jiu-jitsu, etc, e as regras eram bastante diferentes das atuais. Por esse motivo esses eventos eram popularmente conhecidos como “vale-tudo” uma vez que as lutas eram realmente caóticas. Embora houvessem regras como, por exemplo, não ser permitido enfiar dedo nos olhos, morder, puxar cabelo e coisas do tipo, atletas se machucavam com bastante gravidade, havendo até quem perdesse alguns dentes durante uma luta.  

Gradualmente o torneio foi se tornando mais “civilizado” e com a implementação de novas regras (como não poder chutar a cabeça de um oponente caído) a integridade dos lutadores passou a ser melhor preservada e, com isso, o esporte se popularizou. 

Gostaria de abrir um parêntese e esclarecer que não existem lutadores de UFC, como muitos leigos costumam afirmar, mas sim lutadores de MMA.  

UFC é a sigla para Ultimate Fighting Championship, uma das inúmeras organizações que promovem o esporte, enquanto MMA é a sigla para Mixed Martial Arts (Artes Marciais Mistas), o nome do esporte. 

Para exemplificar melhor usarei o futebol. Não existe jogador de FIFA, de UEFA ou de Conmebol, mas sim jogador de futebol. 

Prosseguindo com a história do esporte, diante da popularidade que adquiriu, o MMA chegou ao Japão e em 1997 foi criado o Pride, um dos maiores eventos dentro do esporte e que revelou grandes campeões, até ser comprado pelo UFC em 2007. 

 Embora o UFC hoje seja considerado o evento de maior prestígio dentro do MMA existem outros, como Bellator, WSOF, XFC, Strikeforce (incorporado ao UFC em 2011) Jungle Fight, Bitetti Combat, entre outros, sendo esses dois últimos realizados no Brasil. 

E muito se engana quem acredita que apenas homens participam de eventos de MMA, as mulheres também gostam de competir no esporte, e no dia 23 de fevereiro de 2013 o UFC promoveu o primeiro combate feminino de sua história onde a hoje campeã Ronda Rousey enfrentou Liz Carmouche, provando que a ideia de “sexo frágil” ficou definitivamente no passado. 

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 Mas os atletas que passaram a competir dentro do esporte não treinam mais uma única arte marcial, como acontecia nos primeiros eventos, eles englobam em seus treinamentos técnicas de diversas artes marciais, por exemplo, aqueles que originalmente praticam kickboxing passaram a treinar também o jiu-jitsu, e vice-versa, de forma a serem mais completos e estarem mais aptos a obterem êxito nos eventos, ou seja, terem capacidade de lutar tanto em pé (os chamados strikers) como no chão (os grapplers). 

Sendo assim, na minha opinião, os eventos de MMA deixaram de lado o objetivo original de provar a superioridade de uma arte marcial sobre a outra. Não dá mais para dizer que o lutador de jiu-jitsu venceu o de karatê, por exemplo, já que eles treinam as duas artes marciais. 

O MMA já venceu muitas barreiras criadas pelo preconceito, tanto que hoje algumas lutas são transmitidas nos canais abertos de televisão (algo inimaginável há alguns anos), mas ainda há quem considere o esporte nada além de “briga de rua”. Um exemplo é o ex-pugilista Adilson Maguila Rodrigues, que não cansa de dizer isso.  

Mas os eventos promovidos atualmente contam com regras rígidas e todo o aparato médico necessário para garantir a integridade física dos atletas, sem contar que ninguém que esteja devidamente qualificado para os combates participe dos eventos, entrando de “alegre” nas lutas. 

Assim como ocorre com outros esportes existem aqueles que são fãs incondicionais do MMA e aqueles que o odeiam.  

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Ninguém é obrigado a gostar, muito menos a praticar o esporte, mas como disse Wanderlei Silva, um dos maiores nomes brasileiros dentro do MMA: “No Brasil, nós temos um ditado: quem respeita, não perde os dentes.” 

@oscarmendesf

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