A polêmica da reforma na educação

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Que o governo do Geraldo Alckmin possui diversos pontos negativos isso não dá para negar: crise da água (o governo paulista não é o culpado pelas mudanças climáticas e o desperdício de água da população, mas teve tempo hábil para remediar a situação e não o fez), os altos índices de violência, os casos de corrupção e etc.

Porém devemos criticar ou enaltecer quando se faz necessário.

Não acho justas as “campanhas” que estão sendo feitas contra Alckmin devido à reforma da educação que seu governo está promovendo.

Essa reforma se resume à divisão das escolas por ciclos (que entrará em vigor no próximo ano), ou seja, haverá uma reorganização e distribuição dos alunos nas escolas, que passarão a atender exclusivamente um dos três ciclos de ensino: o primeiro, que abrange os alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental; o segundo, com alunos do 6º ao 9º ano do fundamental; e o terceiro, que reúne os três anos do ensino médio.

Com as mudanças a previsão é de que até mil escolas e mais de um milhões de estudantes sejam atingidos, porém aqueles que sofrerão transferência serão matriculados em escolas que ficam, no máximo, até 1.5 quilômetro de suas casas.

Segundo a Secretaria Estadual da Educação com essas mudanças (conforme estudos realizados em escolas que já adotam essa metodologia) há uma razoável melhoria na qualidade do ensino.

Esse é um ponto a ser melhor analisado uma vez que, segundo os próprios professores, em salas que apresentam uma quantidade excessiva de alunos há uma maior dificuldade em relação à aplicação das atividades pedagógicas, ou seja, fica mais difícil ensinar.

Isso me parece meio óbvio, então fica difícil entender como esse novo sistema que o governo está adotando melhora a qualidade de ensino, a menos que os primeiros ciclos tenham salas de aula com uma quantidade de alunos que não prejudique a alfabetização dos mesmos, ciclos esses que costumam ser os mais críticos.

Sou da opinião que antes de se criticar deve-se entender um assunto, de forma que as opiniões sejam embasadas na verdade e não em informações distorcidas, ou no comodismo dos envolvidos (que é o que me parece acontecer nas “campanhas” que tenho visto).

Já vi muitas pessoas utilizando o slogan “Quem fecha escolas, abre presídios”, não que isso não seja verdade, mas ele não se aplica ao caso.

Ao contrário do que essas pessoas que utilizam o citado slogan dão a entender, não serão fechadas escolas para alunos serem jogados na rua e terem sua educação prejudicada.

Escolas serão fechadas devido ao remanejamento dos alunos, ou elas devem permanecer abertas e vazias?

Então surge uma multidão de pais e alunos se queixando de que, devido às mudanças, as escolas em que passarão a estudar são mais distantes de suas casas.

Isso certamente acontecerá, mas elas deveriam se lembrar que em algumas regiões do país alunos levam horas para chegarem em uma escola (muitas vezes a única em quilômetros) utilizando meios de transporte como jegues, cavalos, carroças e afins, quando não atravessando rios…

A qualidade da educação estadual paulista está deplorável e ela caiu principalmente após a adoção da tal “progressão continuada” (que se não me engano foi adotada em 2011) onde a aprovação dos alunos para o próximo ano se baseia apenas em sua frequências às aulas e não no resultado das avaliações.

Ou seja: o aluno não precisa estudar, aprender a ler, escrever, fazer contas e etc, basta que ele não exceda em 25% a quantidade de faltas que ele é aprovado, simples assim.

O sistema educacional possui falhas gritantes e acredito que toda medida que vise melhorá-lo é válida e se realmente é essa a intenção do governo com a tal reforma, parabéns.

Precisamos parar de dar atenção à críticas oriundas daqueles que apenas tem em mente a própria comodidade.

Pais que tem preguiça de levarem seus filhos até uma escola um pouco mais distante ou alunos que querem chegar mais cedo em casa para ficarem jogando videogame e navegando no Facebook.

Não que esses não sejam direitos deles (o do lazer), mas a preocupação com os estudos deixou de existir há um bom tempo e os resultados disso são mais que evidentes.

@oscarmendesf / Site oficial do autor

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